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Por Danilo Vicente*

O Grammy, premiação de profissionais da indústria musical americana, terá uma composição “fora do tom” este ano. Com a letra criada em abril por um humano que se autointitula Ghostwriter, “Heart on My Sleeve” foi “gravada” por Inteligência Artificial (IA) imitando as vozes dos artistas Drake e The Weeknd, que nem sabiam sobre o projeto – leia-se, sem a autorização de ambos.

Ghostwriter disse ter utilizado um software treinado para reproduzir as vozes dos dois artistas. Na época, a música – que fala sobre a cantora e atriz Selena Gomes, ex-namorada de The Weekend, insinuando que ela o teria traído – provocou tanta polêmica que a Universal Music, detentora dos direitos de veiculação dos dois artistas, solicitou aos serviços de streaming, Spotify, Apple Music e companhia, que impedissem que empresas de inteligência artificial acessassem suas bibliotecas. 

Ainda é possível achar vídeos na internet da música, que aparece com os nomes de Drake e The Weeknd nos créditos e nem cita seu criador. Como foi a primeira do tipo, dá para entender a polêmica e as ações que ela gerou. Mas, agora, cinco meses depois, é estranho o Grammy aceitar sua indicação como melhor canção de rap e melhor canção do ano no prêmio mais cobrição da indústria musical. Talvez porque polêmica venda – acessos e audiência televisiva.

Em sua defesa, o CEO da The Recording Academy, que realiza o Grammy com a missão de “reconhecer a excelência nas artes e ciências da gravação, cultivar o bem-estar da comunidade musical e garantir que a música continue a ser uma parte indelével da cultura americana”, Harvey Mason Jr., alegou que ela é “absolutamente elegível porque foi escrita por um humano”. Vale destacar que as duas categorias inscritas premiam o compositor e não seus intérpretes.

O executivo explicou que, nas novas regras do Grammy, anunciadas em junho deste ano, há impedimento para indicação de canções criadas por IA, mas não de criadores humanos, caso da “Heart on My Sleeve”. Em outras palavras, é permitido que se utilize IA nos trabalhos enviados para a premiação, mas desde que a composição ou a performance sejam executadas por humanos, a única parte que pode ser premiada ou considerada para um prêmio. 

Então, está liberado o uso de IA para modelar a voz, criar uma voz, usar a voz de outra pessoa, sem que a performance seja elegível ao prêmio. Mas, neste caso, a faixa ou a letra são elegíveis ao prêmio. Bem, vamos ver até quando isso será válido, afinal, regras são feitas para quebrar, ainda mais em um mundo em que é difícil até mesmo descobrir se a letra foi real e totalmente criada do zero pelo @ghostwriter. 

*Danilo Vicente é sócio-diretor da Loures Comunicação

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