Consultoria especializada pode transformar o seguro corporativo em ferramenta de gestão estratégica (Cherdchai101/Shutterstock)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 14 de julho de 2026 às 15h00.
Por Marcello Avena*
Durante muito tempo, a contratação de seguros corporativos foi tratada como uma etapa quase automática da rotina empresarial.
A empresa renovava contratos, comparava preços, ajustava valores e mantinha coberturas semelhantes às do ano anterior.
Em um mercado mais simples, essa lógica talvez fosse suficiente. Hoje, ela já não responde à complexidade dos negócios.
As empresas mudaram. Suas operações ficaram mais digitais, suas cadeias de fornecedores mais interdependentes, os riscos climáticos mais evidentes e seus custos com benefícios mais pressionados.
Mesmo assim, muitos programas de seguros continuam estruturados a partir de uma fotografia antiga da operação.
O resultado é conhecido: companhias gastam valores relevantes em apólices, mas nem sempre estão protegidas contra os riscos de maior impacto.
Em alguns casos, há coberturas para exposições secundárias, enquanto pontos críticos, como interrupção de negócios, riscos cibernéticos ou mesmo dependência de fornecedores recebem menos atenção do que deveriam.
Por isso, é essencial que o papel da corretora mude. Não basta intermediar a compra de uma apólice ou buscar a menor cotação.
A consultoria de seguros que atende empresas precisa entender o negócio do cliente, mapear suas vulnerabilidades, revisar contratos, questionar coberturas e ajudar a direcionar recursos para onde eles realmente fazem diferença.
Esse movimento transforma a apólice em uma ferramenta efetiva de gestão.
Um programa bem estruturado não apenas protege patrimônio; ele ajuda a preservar caixa, continuidade operacional, reputação e capacidade de resposta diante de eventos inesperados.
Na prática, isso exige uma atuação mais consultiva, técnica e próxima das empresas. O mercado precisa evoluir de uma lógica transacional para uma lógica analítica de diagnóstico.
A pergunta central deixa de ser apenas "quanto custa a apólice?" e passa a ser "este programa protege o que realmente pode comprometer meus negócios?".
Essa é a mudança que vejo ganhar força no mercado brasileiro. Em um ambiente de riscos mais complexos, a nova corretora não deve apenas vender seguros. Deve ajudar empresas a redesenhar risco.
*Marcello Avena é o CEO da StratSeg.