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Opinião: novo sistema tributário exige revisão de caixa, custos e estratégia

Mudanças na apuração e no uso de créditos tributários exigem maior planejamento financeiro dos negócios

Executivos analisam impactos da Reforma Tributária no capital de giro empresaria (Marcello Casal/Agência Brasil)

Executivos analisam impactos da Reforma Tributária no capital de giro empresaria (Marcello Casal/Agência Brasil)

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Publicado em 13 de abril de 2026 às 15h00.

Por Régis Lima*

O debate em torno da Reforma Tributária – que entrou em vigor no início deste ano com a aplicação das alíquotas teste iniciais do IBS e do CBS – traz consigo um aspecto que exige atenção imediata das empresas.

O foco deve estar no impacto direto das novas disposições sobre o capital de giro e a gestão de seus fluxos de caixa.

Fato é que, por mais que o novo sistema tributário prometa simplificação e maior transparência no longo prazo, o período de transição tende a produzir efeitos desafiadores.

As mudanças estruturais na lógica de apuração dos tributos exigem cuidado no dia a dia dos negócios, sobretudo neste momento inicial.

O desafio da gestão financeira na transição

Para muitas empresas – sobretudo aquelas com cadeias operacionais e de fornecedores mais amplas – o maior desafio não será apenas entender e se adequar às novas regras.

Será necessário adaptar sua gestão financeira para lidar com possíveis desequilíbrios de caixa.

Crédito tributário e recolhimento de tributos

Uma das principais mudanças introduzidas pela Reforma Tributária está relacionada à sistemática de aproveitamento de créditos tributários.

O sistema proposto busca eliminar distorções do modelo atual e ampliar a não cumulatividade dos tributos sobre o consumo.

Em termos práticos, isso significa que empresas poderão tomar créditos de forma mais ampla ao longo da cadeia produtiva.

No entanto, a efetivação desses créditos – no que se refere a prazos, regras de validação e processos de compensação – tende a gerar períodos de espera que impactam o capital de giro.

Necessidade de liquidez e capital de giro

Em um cenário no qual os tributos passam a ser pagos ao longo das etapas da cadeia, com recuperação posterior dos créditos, as organizações podem enfrentar desafios.

Pode haver uma situação temporária de maior necessidade de financiamento da operação.

Ou seja, será necessário ter caixa suficiente para antecipar obrigações tributárias enquanto os créditos correspondentes ainda não foram totalmente compensados.

Esse efeito deve ser ainda mais significativo durante o período de transição entre os regimes, que se estenderá até 2033.

Nesse intervalo, os contribuintes terão de conviver com dois sistemas tributários simultaneamente, o atual e o novo modelo baseado no IVA.

Esse fato aumenta a complexidade operacional e, ao mesmo tempo, gera incertezas quanto à previsibilidade dos valores efetivos de impostos a pagar ou recuperar.

O impacto do split payment no fluxo de caixa

Outro ponto de grande relevância está relacionado às mudanças na forma de recolhimento dos tributos.

Com a adoção de mecanismos automatizados como o "split payment", possivelmente vinculados à emissão de documentos fiscais eletrônicos, o pagamento de impostos se torna imediato.

Portanto, ele torna-se menos flexível do que em alguns modelos atuais.

Trata-se de uma alteração com potencial de reduzir o espaço de gestão financeira que muitas empresas utilizam para equilibrar entradas e saídas de caixa ao longo do mês.

Além disso, a lógica de formação de preços também deve demandar ajustes.

Como os tributos passam a ter maior transparência e incidência ao longo da cadeia, os negócios precisam revisar suas estruturas de custos e margens.

Isso pode exigir mudanças em contratos, renegociação com fornecedores e ajustes nas políticas comerciais.

Tecnologia como aliada no planejamento financeiro

Dessa forma, a gestão do capital de giro adquire um papel estratégico na adaptação das empresas à nova realidade tributária.

Organizações que anteciparem possíveis efeitos da Reforma Tributária no caixa terão melhores condições de planejar suas necessidades de liquidez.

Esse planejamento envolve, por exemplo:

  • Simulações de cenários tributários;
  • Análises do ciclo financeiro da empresa;
  • Avaliação do impacto de créditos e débitos sobre o fluxo de caixa.

Sob essa perspectiva, a tecnologia assume um papel cada vez mais relevante.

A capacidade de monitorar operações em tempo real e automatizar cálculos tributários passa a ser essencial para garantir visibilidade sobre o caixa.

Soluções tecnológicas voltadas à gestão fiscal ajudam as empresas a identificarem riscos e descasamentos no pagamento de tributos e recuperação de créditos.

Isso permite ajustes operacionais de maneira antecipada.

Em outras palavras: nesse novo contexto, os negócios que combinarem planejamento tributário, disciplina na gestão do capital de giro e uso estratégico da tecnologia estarão mais preparados.

Eles poderão atravessar o período de transição com segurança e sustentabilidade financeira.

*Régis Lima é Diretor Executivo e de Operações na Lumen IT.

 

Acompanhe tudo sobre:Reforma tributária

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