Escolher o transporte coletivo pode reduzir emissões, otimizar o espaço urbano e contribuir para cidades mais sustentáveis (Matt Gush/Shutterstock)
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Publicado em 22 de setembro de 2026 às 10h00.
Por Richele Cabral*
As decisões que tomamos todas as manhãs ao sair de casa vão muito além da busca por comodidade ou do tempo gasto no trânsito. Cada deslocamento urbano tem um impacto ambiental que nem sempre percebemos, mas que, somado diariamente por milhões de pessoas, ganha grandes proporções.
No Dia Mundial Sem Carro, a data nos convida a refletir sobre os efeitos das nossas escolhas de mobilidade e sobre o papel do transporte coletivo na construção de cidades mais sustentáveis.
Basta observar uma avenida no horário de pico para perceber um dos desafios das grandes cidades: o espaço viário é limitado e, muitas vezes, utilizado por veículos com baixa ocupação.
Nesse cenário, o transporte coletivo se destaca não apenas pela capacidade de transportar um número maior de pessoas, mas também por sua contribuição para a redução das emissões de gases de efeito estufa.
Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que, ao optar pelo ônibus em vez do automóvel particular, o passageiro pode reduzir significativamente sua emissão de gases de efeito estufa, chegando a uma diferença de até oito vezes, de acordo com os parâmetros analisados pelo estudo.
A escolha pelo transporte coletivo também representa um uso mais eficiente do espaço urbano. Um ônibus pode transportar dezenas de passageiros em uma única viagem, contribuindo para reduzir o número de veículos necessários para realizar esses mesmos deslocamentos.
Menos veículos nas ruas significam, potencialmente, menos congestionamentos, menor pressão sobre o sistema viário e redução das emissões associadas à mobilidade.
A priorização do transporte público é tão relevante para a sustentabilidade que a emissão gerada apenas pelos passageiros que deixaram o transporte público por ônibus no estado do Rio de Janeiro, nos últimos 10 anos, seria equivalente a eletrificar toda a frota de ônibus do país inteiro (cerca de 100 mil ônibus urbanos).
A recente migração do passageiro para o transporte individual gerou um impacto estimado em cerca de 8,7 milhões de toneladas de CO₂ adicionais que nos últimos anos foram lançados na atmosfera.
Para tornar esse impacto mais visível, a Semove disponibiliza em seu portal o Carbonômetro, ferramenta digital que permite estimar a contribuição individual para a redução das emissões a partir dos hábitos de deslocamento.
A iniciativa ajuda a transformar um impacto muitas vezes invisível em uma informação concreta e acessível, estimulando a reflexão sobre como as escolhas cotidianas podem contribuir para a sustentabilidade.
Mas essa transformação não depende apenas de decisões individuais. Para que o transporte coletivo seja, de fato, uma opção prioritária, é necessário que as cidades ofereçam um sistema eficiente, integrado, acessível e capaz de atender às necessidades da população.
Investir no transporte público significa investir também em qualidade ambiental, ocupação mais racional do espaço urbano e qualidade de vida.
No Dia Mundial Sem Carro, mais do que repensar uma viagem específica, vale refletir sobre o modelo de mobilidade que queremos para nossas cidades.
Fortalecer o transporte coletivo é reconhecer que cada deslocamento importa e que escolhas feitas diariamente podem contribuir para construir um futuro urbano mais sustentável.
*Richele Cabral é diretora de Mobilidade da Semove e Vice-Presidente da Associação Internacional do Transporte Público (UITP) da América Latina