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Opinião: amar animais não basta para ter uma gestão de sucesso no mercado pet

Especialista alerta que a falta de visão empresarial no mercado pet é o principal motivo para o fechamento precoce de novos negócios

Gestão eficiente é o que diferencia pet shops sustentáveis de negócios amadores (Freepik)

Gestão eficiente é o que diferencia pet shops sustentáveis de negócios amadores (Freepik)

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Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 10h01.

Por Ricardo de Oliveira*

O mercado pet brasileiro figura entre os maiores do mundo, com um faturamento de R$ 75,4 bilhões em 2024, impulsionado principalmente pelo segmento de pet food, que respondeu por 54,1% desse montante.

A previsão é de que o setor alcance até R$ 78 bilhões em 2025, segundo dados da Abinpet e do Instituto Pet Brasil.

Estima-se que existam entre 150 e 168 milhões de animais de estimação no país, um número que, à primeira vista, sugere oportunidades promissoras para quem deseja empreender.

Ainda assim, o crescimento registrado no último ano, de 9,6%, foi o menor desde 2019, reflexo direto de fatores como inflação, carga tributária elevada e variações cambiais.

Em meio a esse cenário robusto, porém desafiador, os pet shops de pequeno e médio porte seguem sendo responsáveis por quase metade do faturamento do setor, movimentando entre R$ 36 e R$ 37 bilhões.

É evidente que, mesmo inseridos em um mercado pet aquecido, muitos negócios não conseguem prosperar.

A confusão entre paixão e gestão no setor pet

A resposta está, muitas vezes, na confusão entre paixão e gestão.

É comum que novos donos de pet shops ingressem no setor motivados pelo amor aos animais, mas sem a preparação necessária para administrar um negócio.

A ausência de uma visão empresarial leva a decisões equivocadas, baseadas mais na emoção do que na estratégia.

Falta planejamento, conhecimento técnico e domínio de áreas essenciais como precificação, marketing, controle financeiro e experiência do cliente.

É importante lembrar que quem compra, paga e decide é o tutor, portanto, entender profundamente o comportamento desse consumidor é tão essencial quanto gostar de animais.

Erros comuns que ameaçam o varejo pet

Entre os erros mais comuns que minam a vitalidade de um negócio em alta está a falta de controle do fluxo de caixa, que impede a visão clara da saúde financeira e leva a decisões impensadas sobre investimentos ou despesas;

A precificação inadequada de produtos e serviços, que pode resultar em perda de competitividade por valores muito altos ou em prejuízo por margens insuficientes;

E a dificuldade em atrair e, principalmente, manter clientes. Tais problemas, muitas vezes, têm origem na ausência de formação em gestão de pet shop e no desconhecimento das melhores práticas do varejo pet.

O impacto desses deslizes vai muito além do prejuízo financeiro imediato.

Sem um planejamento sólido, muitos empreendedores, que iniciaram seus negócios movidos pela paixão por animais, logo se deparam com a dura realidade de estoques encalhados, que consomem capital sem retorno;

A inadimplência crescente de clientes, comprometendo o recebimento; e margens de lucro apertadas, que mal cobrem os custos operacionais.

Esse cenário desmotivador, consequência direta da má gestão, leva à estagnação ou, em casos mais graves, ao encerramento precoce das atividades.

A profissionalização como estratégia de crescimento

Para mudar esse cenário, é indispensável profissionalizar o setor. A capacitação contínua dos empreendedores é o primeiro passo.

É preciso investir em conhecimento sobre gestão, finanças, estratégias de precificação, marketing e atendimento.

Hoje, já existem cursos, mentorias e plataformas especializadas que apoiam os gestores de pet shops em sua jornada, ferramentas que, quando bem aplicadas, elevam o desempenho e a competitividade do negócio.

Também é crucial compreender que a fidelização do tutor depende da experiência proporcionada pela loja como um todo, não apenas do carinho dispensado aos pets.

O mercado pet oferece, sim, oportunidades reais de crescimento, mesmo diante das incertezas da economia.

Mas essas oportunidades só se convertem em resultados quando há preparo.

Adotar uma postura empresarial, com metas bem definidas, processos organizados e decisões baseadas em dados, é o que diferencia um negócio amador de um empreendimento sustentável e lucrativo.

Claro que gostar de animais é um ótimo ponto de partida, mas, no mundo dos negócios, é o conhecimento e a gestão estratégica que garantem a longevidade da paixão.

*Ricardo de Oliveira, CEO do Fórmula Pet Shop, sócio e diretor de expansão da Bable Pet, especialista do mercado pet.

 

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