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O que o metaverso tem a ver com a educação superior

Sucesso da educação digital mostrou que os alunos, inclusive de gerações anteriores, estão preparados para estudar de forma remota
Segundo diretor de engenharia do Google, no final desta década, muitas pessoas passarão mais tempo no metaverso do que na chamada “vida real” (Thinkhubstudio/Getty Images)
Segundo diretor de engenharia do Google, no final desta década, muitas pessoas passarão mais tempo no metaverso do que na chamada “vida real” (Thinkhubstudio/Getty Images)
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Publicado em 18/02/2022 às 14:38.

Última atualização em 18/02/2022 às 15:21.

Por Joaldo Diniz*

Quando o termo “metaverso” foi usado pela primeira vez, em 1992, pelo escritor americano Neal Stephenson, talvez poucos tenham imaginado suas múltiplas aplicações fora do universo de ficção científica descrito no livro Snow Crash. Três décadas depois, essa palavra virou obrigatória. E não só para quem trabalha com tecnologia.

Metaverso, em linhas gerais, poderia ser simplificado como um feliz casamento das funcionalidades da realidade virtual com as da realidade aumentada, somando os recursos das redes sociais. É uma expressão que ganhou alcance no ano passado, quando Mark Zuckerberg anunciou a mudança de nome corporativo da companhia Facebook para Meta Platforms, em uma alusão óbvia ao metaverso.

As bigtechs, como um todo, estão nessa corrida — e a aquisição por US$ 68,7 bilhões, pela Microsoft, da desenvolvedora de jogos eletrônicos Activision Blizzard dá a dimensão desse apetite. A empresa criada por Bill Gates está muito mais interessada em explorar as múltiplas possibilidades do metaverso. E o gigante sediado em Seattle sabe que tem muito a aprender — alguns games como o Fortnite são os grandes desbravadores desse macrocosmo.

Mas o que isso tem a ver com educação? Muita coisa — especialmente para quem vê essa tecnologia não como uma modinha, mas com um olhar estratégico de longo prazo.

De acordo com o inventor americano Raymond Kurzweil, diretor de engenharia do Google desde 2012, no final desta década, grande parte das pessoas passará mais tempo no metaverso do que na chamada “vida real”.

Essa previsão não parece um mero palpite futurista. Hoje, a geração que está ingressando no ensino superior ou mesmo aquela que está começando sua primeira pós-graduação, já cresceu “chipada” para as plataformas digitais. Ela não se conforma mais em um modelo de ensino baseado no formato que vigorava até recentemente — um longo monólogo com algumas anotações riscadas na lousa.

O sucesso da educação digital, forçado pela pandemia, é bem verdade, mostrou que os estudantes, inclusive de gerações anteriores, estão preparados para estudar de forma remota, desde que o aprendizado seja interativo, modulado e flexível, permitindo que ele estude quando quiser, onde quiser, quanto quiser. O formato híbrido, combinando as conveniências do digital com as vantagens do presencial, é que permite uma formação plena.

O desenvolvimento do metaverso oferece novas oportunidades. Com a possibilidade de replicar a realidade em dispositivos digitais, não é difícil imaginar a formatação de aulas imersivas com professores, alunos e convidados interagindo em tempo real, em um ambiente virtual que garanta uma simulação efetiva de situações concretas.

*Joaldo Diniz é diretor-executivo de inovação e serviços do grupo Ser Educacional

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