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O diferente incomoda, e é no desconforto que encontraremos inovação

Não tenha medo de tentar inovar e pensar nas mais diferentes ideias para a empresa

Ideias recombinadas que geram inovação disruptiva (Carol Yepes/Getty Images)

Ideias recombinadas que geram inovação disruptiva (Carol Yepes/Getty Images)

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11 de janeiro de 2023, 15h08

Por Isadora Gabriel*

Se alguém me perguntasse, quando mais jovem, o que eu buscava na vida, a resposta prática e rápida seria: conforto. Aquela vaga e ilusória sensação de segurança, de êxito, de missão cumprida.

Corta para uma cena já da vida adulta e me vejo em uma sala com mais dez pessoas com as quais trabalho. Trago uma ideia para a mesa. Pela linguagem corporal dos demais, a ideia não agradou. Os olhares se voltam para baixo, uns se mexem na cadeira. A minha vontade é retirar o que disse e buscar uma nova sugestão mais unânime. Mais uniforme, mais aderente, mais aceita.

Volto para casa com uma sensação de fracasso — minha vaidade me dizendo que a validação externa que eu esperava não veio por falha minha. Falhei em não entender o contexto. Falhei em não me encaixar, em não me adequar.

O desconforto era grande. Mas ainda bem que outro dia chegou e eu pude, já livre da voz do meu ego, perceber que eu tinha perdido uma grande oportunidade. De aprender com o incômodo. De abrir a conversa — difícil — que talvez viesse a partir de um confronto de opiniões. De ideias. De lugares de fala. De histórias. De perspectivas. Diferentes das minhas.

Nós 11, naquela sala, éramos pessoas distintas. Que estavam discordando em silêncio. E isso não é saudável, mas é bastante comum.

Afinal, muitos líderes já sabem que é preciso e urgente montar times diversos e que a inovação pode vir de qualquer lugar e pessoa em uma organização. Mas qual é o novo desafio, então? Lidar com o desconforto que o confronto de opiniões diferentes gera. Isso dá trabalho. Isso dói. E, mais, exige conversas difíceis, confiança, vulnerabilidade.

Mas é justamente nessa alta tensão que está a beleza, pois são as ideias recombinadas que geram inovação disruptiva. Empresas que são capazes de fazer isso aumentam em mais de cinco vezes as chances de obterem melhores resultados, segundo um estudo do Great Place to Work.

E os maiores desafios da liderança hoje estão justamente em criar esse ambiente com segurança psicológica suficiente para que todos suportem o desconforto. Afinal, as pessoas não inovam não porque não têm boas ideias, mas porque têm medo de serem julgadas, medo de errar. E o medo silencia, paralisa e mantém o status quo.

Parece óbvio, mas esquecemos que ninguém quer criar algo inovador com a visão dos experts, dos iluminados. Afinal, os seus clientes não são experts, são pessoas comuns — como eu e você e mais outras milhões de pessoas diferentes — com desejos e necessidades, às vezes, mais simples do que a gente imagina. Então, o que você precisa são perspectivas em 360º.

E essa angulação ampla depende, sim, de muita gente diversa trabalhando junto. Diversas em todos os sentidos. Se esbarrando. Se questionando. E revirando todos aqueles vieses e medos que temos tanto pavor de enfrentar.

Em segurança, podemos juntos e juntas repensar. Repactuar. E evoluir.

E se é (também) fazendo coisas difíceis que a gente cresce, é (muito) no desconforto que o novo vem.

 

*Isadora Gabriel é diretora de People na Movile, uma investidora brasileira em empresas de tecnologia na América Latina

 

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