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Opinião: novo marco legal da pesquisa clínica pode injetar bilhões no Brasil

Entenda como a nova regulamentação corrige distorções históricas e posiciona o país como hub estratégico para protocolos globais

Brasil projeta atrair R$ 5 bilhões anuais com o novo marco legal da pesquisa clínica (Solskin/Getty Images)

Brasil projeta atrair R$ 5 bilhões anuais com o novo marco legal da pesquisa clínica (Solskin/Getty Images)

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Publicado em 1 de abril de 2026 às 17h00.

Por Fábio Franke*

A vacina que evitou milhões de mortes na pandemia. Os tratamentos mais modernos contra o câncer que aumentaram a sobrevida em casos antes considerados incuráveis.

E até avanços em terapias regenerativas com o uso de poliaminina em lesões medulares que desafiam limites antes considerados impossíveis. Nada disso seria possível sem pesquisa clínica.

A urgência do acesso e o fator tempo

Para quem enfrenta um diagnóstico complexo, especialmente o oncológico, o relógio não corre em anos, corre em decisões. Em acesso. Em oportunidade.

Antes de chegar ao consultório, cada avanço que hoje parece "normal" precisou começar como hipótese, atravessar anos de testes e, principalmente, ganhar tempo. Tempo de estudo, de aprovação e de acesso.

É sob essa urgência que deve ser lida a Lei nº 14.874/2024, o novo marco legal da pesquisa clínica no Brasil.

Impacto econômico e novos investimentos

A aprovação da lei representa mais do que um avanço regulatório. Ela corrige uma distorção histórica: a lentidão que isolou a ciência brasileira do restante do mundo.

Hoje, o país responde por menos de 2% da pesquisa clínica global, um descompasso evidente entre capacidade e participação. A expectativa é que o Brasil atraia cerca de R$ 3 bilhões anuais em investimentos diretos e até R$ 5 bilhões em indiretos.

Esse volume financeiro deve permitir que o país salte para uma faixa de 400 a 500 protocolos anuais. Na oncologia, uma das áreas mais intensivas em inovação, esse movimento deve acelerar o acesso a terapias avançadas e reposicionar o país como destino estratégico para pesquisa.

Mas o marco regulatório, por si só, não resolve o problema. O diferencial estará na capacidade de execução. Pesquisa clínica exige estrutura, padronização e, sobretudo, capital humano qualificado para conduzir protocolos cada vez mais complexos.

É nesse ponto que o Brasil começa a dar sinais concretos de evolução. O que está em jogo é reduzir a distância entre a inovação e quem precisa dela.

*Fábio Franke é líder nacional de pesquisa clínica da Oncoclínicas&Co.

 

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