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Mauro Wainstock: Convivência no mundo corporativo é animal ou humanizada?

Quantos aprendizados podem vir da convivência de pessoas diferentes no ambiente de trabalho?

Por Mauro Wainstock*

Logo neste início faço questão de deixar claro: a partir de agora vou relatar uma história real, qualquer semelhança com o seu dia a dia não é mera coincidência.

Depois de várias semanas no isolamento presencial, o interfone tocou: “Seu Mauro, eu estava na garagem e ouvi um barulho... tem um gato no carburador de um carro, o que faço?”. Imediatamente, a minha reação foi: “Por favor, coloque no elevador que pegarei”.

Era uma questão humanitária, ou melhor, de sobrevivência. Ela estava na minha mão. Era fêmea, tinha um mês de vida. Era difícil dizer se estava mais suja, esfomeada ou assustada.

A única certeza é de que era resiliente, tinha fé. Certamente tentou entrar em prédios, lojas e restaurantes. Em vão. Provavelmente entrou em vários outros carros. Sem sucesso. Persistiu. Errou, aprendeu, ganhou experiência. Finalmente foi percebida: conseguiu estar no local certo e na hora certa. O esforço foi recompensado. Agora estava em um ambiente mais seguro. Era a sua primeira conquista.

Era visível que ela tinha uma atitude empreendedora.

Depois do banho, com visual repaginado, passou a se comunicar de forma mais efetiva. Miava baixinho. Um som ritmado, mas intenso. Experimentou a ração. Devorou. Depois mais uma. E outra... Rapidamente, aprendeu onde deveria deixar a sua marca, sem impactar o ambiente.

Despertou transformada: tranquila, elegante, com a autoestima renovada. E aí chegou o momento de se redescobrir. Ela tinha que demonstrar o porquê devíamos ficar com ela.

Cativou de forma envolvente, utilizando a inteligência emocional.

Revelou ser super sociável, trocando carinho e compartilhando alegria. Sempre muito doce. Logo ganhou uma identidade: Cookie. Às vezes, dá pequenos passos, observa, é curiosa. Em outras ocasiões aparece de repente, se movimentando com agilidade.

Acredita que possui “7 vidas”: arrisca, explora novos caminhos e faz malabarismos. Sobe e desce o tempo todo.

Está sempre criando, inovando e impressiona pela incrível flexibilidade. Fica empolgada com tudo o que vê pela frente. Quer logo escalar. Cai e levanta o tempo todo. Ronrona alto.

O atual desafio é a adaptação. É promover a inclusão e a convivência harmônica com o restante da diversificada equipe. No total, são nove no apartamento. Cada um com histórias próprias, características, desejos e necessidades. São quatro humanos, além de dois gatos e um cãozinho, os três recolhidos das ruas em situação vulnerável.

Também temos a tartaruga Josh, que foi a nossa primeira experiência animal. Chegou pequena, introvertida e aos poucos foi aprimorando o seu autoconhecimento: se tornou mais madura, cascuda e hoje impõe respeito pela forma equilibrada como se comporta.

Sabe que já cresceu muito e agora atua com cautela e serenidade, mapeando o terreno e atenta aos ruídos. Caminha em ritmo mais seguro em direção a uma longevidade feliz. É estratégica.

Seus ensinamentos foram retratados inclusive em fábulas, como a “A Lebre e a Tartaruga”, de Esopo.

Seu comportamento foi analisado no espaço. Isto ocorreu em 1968, quando astrônomos russos enviaram uma tartaruga no primeiro foguete a dar a volta na Lua e voltar para a Terra em segurança.

Certamente foi uma vivência única: espacial e especial. Assim como a do ator William Shatner que, aos 90 anos, fez uma jornada a bordo da Blue Origin.

Uma demonstração de que é possível sonhar e realizar. Em qualquer idade.

Um exemplo de que ter sete ou mais vidas não é uma obra de ficção, mas um sinônimo de se reinventar; uma oportunidade de experimentar, aprender e evoluir.

No entanto, a tartaruga ainda é considerada um animal solitário.

E muitas vezes fica invisível...

Então proponho um exercício.

Olhe ao seu redor e observe: quantas Cookies e Joshs você conhece?

Abra o olho e perceba: quantos valiosos benefícios e aprendizados são decorrentes dessa saudável relação?

O pulo da gata pode ser mais eficiente se tiver a contribuição da maturidade e da sabedoria da tartaruga.

O caminhar do Josh pode ser mais ágil se contar com o dinamismo e a curiosidade da Cookie.

Juntos, eles podem alçar voos inimagináveis!

Aqueles que me conhecem sabem que eu tinha muita resistência em ter algum animal na minha casa, muito menos cinco deles.

Mas a capacidade de se adaptar é tão indispensável quanto mágica. Hoje não imagino a minha casa sem a inspiração, a empolgação e os aprendizados propiciados pelo quinteto.

*Mauro Wainstock tem 30 anos de experiência em comunicação. Foi nomeado Linkedin Top Voice e atua como mentor de executivos sobre marca profissional. É sócio-fundador do HUB 40+, consultoria empresarial focada no público acima dos 40 anos.

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