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Márcio de Freitas: Eleitor não tem dono

A Justiça Eleitoral é apenas a instituição viabilizadora do sistema que permite a escolha dos governantes e de parlamentares
 (Bloomberg/Patricia Monteiro)
(Bloomberg/Patricia Monteiro)
Por BússolaPublicado em 13/05/2022 08:18 | Última atualização em 13/05/2022 13:38Tempo de Leitura: 5 min de leitura

Por Márcio de Freitas*

Parte do eleitorado que votou em Dilma Rousseff (PT) em 2014, migrou para Jair Bolsonaro em 2018. Ameaça este ano votar em Luiz Inácio Lula da Silva. Eleitor não tem dono, mostram as urnas passadas. De nada adianta questionar o sistema eleitoral ou duvidar do resultado, como fez Aécio Neves em 2014 (PSDB). Cada candidato sabe a dor e a delícia de ser votado, ou não. Governante entrega realizações ou é entregue à realidade do ócio da falta de cargo eletivo.

A Justiça Eleitoral é apenas a instituição viabilizadora do sistema que permite a escolha dos governantes e de parlamentares. Mera ferramenta, disponível ao país de 220 milhões de habitantes com mais de 150 milhões de eleitores. Chega a todos municípios do país.

O desenvolvimento do sistema eletrônico de votação foi um avanço para enfrentar as fraudes e acelerar o processo de apuração, que podia demorar dias. Eventuais aprimoramentos são sempre necessários. Fiscalização é obrigação dos partidos políticos, das campanhas políticas e da sociedade civil organizada. Incomum seria o contrário.

Comum é o eleitor definir sua escolha diante da urna, por razões reais e palpáveis. O preço dos combustíveis, por exemplo. Inflação de dois dígitos é uma barreira significativa para vitória. Pode ocorrer, diante de um quadro de excepcionalidade. O cenário atual tem uma pandemia que não ocorria há mais de 100 anos, matando milhões no mundo e parando a cadeia de suprimentos desde a Ásia às Américas, com preços subindo em todo o mundo.

Contudo, o cidadão de Janaúba compra em Janaúba, e paga as suas contas com dinheiro recebido em Janaúba. Ele olha para Brasília como se tudo ali pudesse ser resolvido, como os gregos olhavam para o Monte Olimpo: Brasil acima de tudo, Deus acima de todos... A evocação religiosa traz ainda mais esperança em milagres.

A coerência do discurso de candidato e as realizações de governo também são importantes. Empurrar ou reter propostas, projetos e ideias antes disseminas por opositores que governaram antes pesa muito na balança. Cuidado com estradas, segurança, saúde, educação podem definir a vitória ou derrota. Óbvio. Mas quando não se conecta uma coisa com outra, muitos candidatos ficam sem entender a razão elementar da derrota.

Eleitor vota com seus interesses muito próprios nem sempre coincidentes com a pauta da elite econômica ou midiática. Nem unicamente com os discursos da oposição ou com a retórica do governo.

O cientista político Jairo Nicolau estudou esse fenômeno em 2018, ao escrever o livro “O Brasil dobou à direita”. Razões diversas levaram à escolha de Jair Bolsonaro para a Presidência da República, um conservador que aderiu à pauta liberal num momento de combate à corrupção. O adversário era o progressista, socializante Fernando Haddad, cujo padrinho político estava na cadeia. Cenário que mudou, como mudam as nuvens do céu.

A polarização entre Bolsonaro e Lula mostra um país cindido em partes desiguais até o momento. O presidente apresentou recuperação em pesquisas recentes com a saída de Sérgio Moro e um início de normalidade econômica no rescaldo da pandemia de Covid-19. Um ambiente tranquilo à atividade produtiva era tudo que o governo poderia pedir ao coelho da Páscoa. Mas não foi atendido.

Já Lula havia se recuperado antes, com a decisão do Supremo Tribunal Federal de anular suas condenações iniciadas em Curitiba, onde havia reinado Moro. Ambos ressuscitaram expectativas de vitória neste ano nas pesquisas eleitorais, com relativo favoritismo do petista.

Lula elevou seu partido a um patamar de mais de 40% dos votos desde 2002 no primeiro turno. Manteve Dilma nesse nível. Preso, Lula viu Haddad ficar perto de 30% dos votos válidos em 2018. Agora, retorna o sarrafo à altura de seu tamanho político anterior, e tem conseguido segundo aferições de intenção de voto. Seu desafio é ultrapassar os 50% mais um para derrotar Bolsonaro, hoje dono da máquina pública e das verbas, secretas ou não, que todo presidente tem a seu dispor na disputa da reeleição.

O presidente tem essa máquina, mas enfrenta o desafio de ser cobrado pelas entregas, que foram afetadas pela pandemia. O problema é que eleitor não gosta muito de explicação. Mesmo que Bolsonaro tenha criado toda uma narrativa já no começo da Covid, com críticas ao fechamento do comércio e ao lockdown, que se espalhou junto ao vírus pelo país.

Sua postura diante das mortes também não ajudou, mesmo que seu governo tenha distribuído as vacinas que salvaram milhões de vidas. Uma parte da sua alta rejeição está neste ponto, que deve ser enfrentado para criar um ambiente propício para tentar virar o jogo. É o desafio para tentar resgatar o eleitor que votou nele em 2018 e agora ameaça ir para Lula.

As pesquisas indicam hoje um grau de incerteza que, pela falta de dono, permite a ambos os lados projetar vitória em outubro. Quem errar menos, deve vencer. Terá de seduzir o eleitor, graças aos deuses, independente em sua maioria. É por isso que, algo extremamente extraordinário, Lula leu o discurso de lançamento de sua candidatura, sem direito a cacos no meio do texto. Até o improviso será ensaiado nesta campanha. Pelos dois lados, é bom notar.

*Márcio de Freitas, Analista Político da FSB Comunicação

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