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Remy Sharp
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Depois de um período bastante desafiador para as startups, o mercado global começa a dar sinais de retomada com os recentes IPOs ocorridos nos Estados Unidos e a expectativa de queda de juros em muitos países, incluindo o Brasil. 

A chefe de listagens da América Latina na Nasdaq, Ivana Ferreira, afirmou que as condições estão encaminhadas para a retomada dos IPOs até o final do ano, com a expectativa de que o mercado latino siga o mesmo caminho em 2024. 

No mercado americano, alguns IPOs por meio de SPACs voltaram a ocorrer. De janeiro a março, foram onze operações nos Estados Unidos com valor médio de US$ 82 milhões. Por aqui, a holding de SaaS brasileira nuvini se associou a um SPAC e deve estrear na Nasdaq muito em breve.

Novos IPOs?

Segundo Orlando Cintra, fundador e CEO do grupo de investimento-anjo BR Angels, o retorno dos IPOs é significativo para o ecossistema de inovação. “É um dos termômetros para indicar a volta dos investimentos no setor de tecnologia. No ciclo das startups, a estreia na bolsa é um grande objetivo, que marca para aquele negócio uma subida de degrau e mudança de patamar”, afirma.

“Os grandes fundos de venture capital, que investiram nas várias rodadas anteriores, miram no IPO para ter o retorno do capital aplicado na jornada de crescimento da startup. Grande parte desse lucro volta para os fundos investirem em novas startups que vão tentar percorrer aquele mesmo caminho. Quando não há IPOs, ou grandes companhias comprando as startups em estágio mais avançado, os fundos de venture capital não recebem retorno e chega-se a um ponto em que congelam investimentos em novas startups”, complementa.

O pior já passou para as startups?

Boa parte do mercado tem se mostrado mais otimista, mas ainda há ressalvas, comenta Gabriel Sidi, co-fundador da EXT Capital, que em julho concluiu investimento de R$ 80 milhões na Turbi, startup de locação de carros 100% digital.  

“Acredito que sim, o pior já passou. Os investidores aguardam pela abertura de janela de oportunidade, que ocorre primeiro lá fora e depois para os ativos de maior risco fora do mercado americano, como Europa e Ásia. Na América Latina também há uma abertura, mas a tendência é ir para os ativos mais seguros e depois para os de maior risco”, diz Sidi. 

“Ainda é um momento de atenção. O início da trajetória de queda nos juros pode ser o grande motivador aqui no Brasil, porém ainda há uma grande discussão nos Estados Unidos sobre a tendência dos juros por lá. Percebo que há um desejo geral dos fundos para investir, mas ainda não é algo materializado. A bolsa já começou a subir, já houve novos follow ons, a esteira de IPOs está a caminho, porém mesmo quando o cenário se estabiliza ainda é preciso um tempo para se organizar”, acrescenta.

Unicórnios irão voltar?

Um sinal de bom tempo foi a operação que gerou o primeiro unicórnio brasileiro do ano: a Pismo. Os principais investidores, entre eles Romero Rodrigues, da Headline, comemoraram a venda da fintech por US$ 1 bilhão para a Visao maior M&A do Brasil, superando a compra da 99 pela Didi, em 2018.

Mas Rodrigues ainda analisa o cenário com cautela. “Acho que o pior de liquidez já passou. A situação está um pouco melhor, mas a barra ainda está muito alta para os investidores como um todo. Para empresas boas, o cenário está mais favorável. Para aquelas que ainda estão ajustando o modelo de negócios, procurando fit de produtos do mercado, melhorando margem, não necessariamente. Não vai ser fácil levantar dinheiro nesse momento. Os investidores continuam muito seletivos, procurando os melhores empreendedores”, diz. 

De acordo com o empresário, a Headline planeja fazer mais investimentos até o final do ano. “Faz parte do nosso plano. Temos observado muitas startups boas, com founders excelentes, resolvendo problemas importantes. Nesse primeiro ano de fundo, analisando o mercado, olhamos cerca de 2,5 mil companhias e agora estamos nos aprofundando nos melhores cases para investir até o final de 2023”, afirma.

Humor dos investidores está melhor?

Daniel Magalhães, co-fundador e CEO da Virgo, fintech de serviços e soluções financeiras para o mercado de capitais, também vê uma melhora no humor do mercado, mas com pontos de atenção. 

“Particularmente meço essa transformação com base no aumento das ligações de fundos e investidores para perguntar sobre determinadas startups, modelos de negócio e alguns setores e mercados. Percebo que há um crescimento mais forte em empresas ligadas ou com algum uso de Inteligência Artificial", declara. 

"Esse setor mudou um pouco nos últimos meses e movimentou investimentos, mas não vejo que seja uma mudança para todos. O pessoal ainda está bem ‘machucado' e o fato é que não tem saído dinheiro para todos os setores. Prevejo que vamos ter um segundo semestre melhor do que tivemos no primeiro. O mercado brasileiro tem fundos capitalizados, mas estamos em uma nova realidade de valuation e perfil das rodadas. Tem muita coisa para se acomodar nos próximos meses”, afirma.

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