Uma alfabetização sólida nos primeiros anos cria as bases para a aprendizagem, a adaptação às mudanças e o exercício da cidadania (PeopleImages/Shutterstock)
Plataforma de conteúdo
Publicado em 8 de setembro de 2026 às 13h00.
Por Santuza Bicalho*
Celebrado em 8 de setembro, o Dia Internacional da Alfabetização foi instituído pela UNESCO, em 1967, para reforçar a importância da alfabetização como um direito humano fundamental.
A data é um convite para refletirmos sobre um dos maiores desafios da educação: garantir que toda criança tenha acesso a uma aprendizagem de qualidade desde os primeiros anos de vida.
Costumo dizer que a alfabetização funciona como uma pista de decolagem. Quanto mais sólida ela for, maiores serão as possibilidades de voo ao longo da trajetória escolar.
O desempenho acadêmico no Ensino Médio, o ingresso na universidade e até mesmo a capacidade de acompanhar as transformações do mercado de trabalho têm suas bases construídas muito antes, ainda na infância.
É nesse período que se estabelecem os fundamentos sobre os quais todo o restante da aprendizagem será desenvolvido.
A escola desempenha um papel decisivo nessa etapa. A infância representa um período de intensa plasticidade cerebral, no qual as crianças desenvolvem a linguagem, ampliam sua capacidade de aprendizagem e constroem conexões que sustentarão conhecimentos cada vez mais complexos.
Também por isso, iniciar a vida escolar desde cedo faz diferença.
Ambientes ricos em estímulos, interações significativas e experiências diversificadas favorecem não apenas a alfabetização na língua materna, mas também a aquisição de uma segunda ou até de uma terceira língua, processo que tende a ocorrer de forma mais natural durante os primeiros anos de vida.
Entretanto, alfabetizar vai muito além de ensinar uma criança a reconhecer letras, formar palavras ou ler pequenos textos. Significa desenvolver a capacidade de compreender, interpretar, argumentar e comunicar ideias com clareza.
Uma criança verdadeiramente alfabetizada é capaz de estabelecer relações entre diferentes conhecimentos, analisar informações de forma crítica e utilizar a linguagem para participar ativamente da sociedade.
Essas competências acompanham o estudante por toda a vida e influenciam sua aprendizagem em todas as áreas do conhecimento.
Estamos debatendo diariamente sobre a inteligência artificial, competências globais, metodologias inovadoras e as habilidades necessárias para um mundo em constante transformação.
Todas essas discussões são fundamentais, mas nenhuma delas se sustenta sem uma base consistente de leitura, escrita e compreensão textual.
É a alfabetização que permite aos estudantes interpretar informações, diferenciar fatos de opiniões, avaliar criticamente conteúdos e utilizar a tecnologia de forma consciente e responsável.
Por isso, investir na Educação Infantil e nos anos iniciais da Educação Básica não é apenas uma decisão pedagógica, mas uma estratégia de longo prazo para toda a sociedade.
As inovações continuarão transformando a maneira como aprendemos, mas nenhuma tecnologia será capaz de substituir a importância de uma alfabetização sólida.
Afinal, é nos primeiros anos da escola que as crianças desenvolvem as ferramentas que lhes permitirão continuar aprendendo, adaptar-se às mudanças e exercer plenamente sua cidadania ao longo da vida.
*Santuza Bicalho é Managing Director da International Schools Partnership no Brasil, liderando a gestão estratégica e operacional da subsidiária brasileira do grupo.