De emprego a saúde: o ciclo de atenção às questões políticas

Saúde pública volta com força às preocupações dos brasileiros, mas divide espaço com economia

Por André Jácomo*

Desde o começo dos anos 1990, as pesquisas de opinião costumam sempre divulgar um dado importante para entender o que está no centro da agenda política da sociedade: a percepção dos brasileiros sobre o principal problema do país. O resultado dessa pergunta, às vezes escondido nas divulgações dos relatórios, sempre ajudou muito a antecipar importantes tendências políticas.

De 1994 até 2008, as pesquisas de opinião mostraram que a atenção da opinião pública estava concentrada no problema do emprego. Nesse período, aproximadamente 40% dos brasileiros apontavam a falta de emprego como o principal problema do país. Pouco depois disso, em 2002, Lula foi eleito presidente da República.

Então, outro problema passou a surgir como o foco da atenção da sociedade. De 2009 até 2015, a questão da saúde pública sempre apareceu como o principal problema do país. O problema da saúde pública chegou a ser citado por 41% dos brasileiros em pesquisas divulgadas em fevereiro de 2014. Perto da Copa do Mundo realizada no país, diversos grupos foram às ruas pedindo que o governo priorizasse gastos em hospitais e não em estádios de futebol.

A partir de 2016, a corrupção foi o principal problema do país na percepção da sociedade, muito por conta da presença constante da Lava-Jato na imprensa, nas redes sociais e nas conversas das pessoas. No período, o problema chegou a ser apontado como o principal problema por 32% dos brasileiros. Dois anos depois, Jair Bolsonaro foi eleito presidente da República com um forte discurso ético e moralizador da política.

E agora?

Em meio a uma pandemia mundial, com notas mais graves aqui no Brasil, a saúde pública naturalmente voltou ao centro da agenda da opinião pública. Mas o que chama a atenção nesse atual ciclo é que a percepção do problema da saúde está bem menos intensa do que no período anterior. Agora, as pesquisas mostram que aproximadamente 27% escolhem a saúde como o principal problema, dividindo a atenção com os problemas econômicos, os quais são citados com intensidade muito próxima.

Para 2022, isso pode ser bom e ruim para o candidato do governo e adversários, com uma eleição mais fragmentada em termos de atenção da opinião pública.

*André Jácomo é diretor do Instituto FSB Pesquisa

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