Com juros e crédito altos, agronegócio foca em mercado de capitais e governança (Alf Ribeiro/Shutterstock)
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Publicado em 7 de agosto de 2026 às 10h00.
Por Amanda Coura, fundadora da Zera.
A redução de 0,25 ponto na Selic deve ser interpretada como um ajuste fino na intensidade do aperto monetário, e não como o início de um cenário de afrouxamento.
A taxa permanecerá quase quatro pontos percentuais acima da média dos últimos 20 anos, de aproximadamente 10,4%, após mais de quatro anos em patamar historicamente elevado e restritivo.
Além disso, os contratos de DI futuro apontam taxas de dois dígitos ao longo de toda a curva, reforçando a percepção de que o Brasil ainda conviverá com juros elevados por um período prolongado.
No mercado de crédito, grande parte das operações pós-fixadas tem seu custo referenciado no CDI, acrescido de um spread que remunera fatores como risco, prazo e estrutura da transação.
Como o CDI acompanha de perto a Selic, sua permanência em patamar elevado mantém alto o custo da dívida e aumenta as despesas financeiras, pressionando margens, geração de caixa e resultados das empresas.
Mesmo diante desse cenário, o agronegócio continua crescendo e demandando volumes cada vez maiores de financiamento, e o mercado de capitais tem desempenhado um papel essencial para complementar as fontes tradicionais de crédito e sustentar essa expansão.
Com os juros pressionando o custo das operações, a customização das estruturas ganha ainda mais relevância na busca por uma relação mais equilibrada entre risco e retorno.
Isso inclui soluções menos óbvias, capazes de substituir a exposição concentrada a um único devedor pelo risco pulverizado de uma carteira diversificada de recebíveis, além do uso de garantias com mecanismos efetivos de controle, monitoramento e execução.
A importância da governança para empresas do agro
Para acessar esse mercado, nunca foi tão importante que as empresas do agro fortaleçam sua governança, adotem covenants compatíveis com a realidade do negócio e mantenham um planejamento financeiro rigoroso, com liquidez e geração de caixa suficientes para fazer frente às obrigações ao longo de todo o ciclo da operação.