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Com prejuízo, transporte público está à beira do colapso, diz estudo

Perdas acumuladas de R$ 14,2 bi, crescimento de paralisações e greves nos sistemas de transporte coletivo retratam o declínio do serviço após 14 meses de pandemia

Mais de 75 mil trabalhadores foram demitidos desde o início da pandemia (Roberto Parizotti/Fotos Públicas)

Mais de 75 mil trabalhadores foram demitidos desde o início da pandemia (Roberto Parizotti/Fotos Públicas)

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Da Redação

Publicado em 28 de maio de 2021, 16h24.

Por Bússola

O agravamento da situação de crise enfrentada pelos sistemas de transporte público por ônibus no Brasil, nos últimos 14 meses, resultou num prejuízo de R$ 14,24 bilhões ao setor até o momento, sem que tenha sido adotada qualquer ajuda emergencial federal para o conjunto das empresas. Um monitoramento realizado pela Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) mostra que o impacto da pandemia sobre o setor cresce. O estudo engloba o período de 16 março de 2020 a 30 de abril de 2021. Destacam-se a interrupção da prestação dos serviços de 25 operadoras e um consórcio operacional e demissões de 76.757 trabalhadores. Observa-se também a insatisfação da população com a redução ou interrupção da oferta de transporte público.

"Esses dados confirmam o cenário de colapso sobre o qual a NTU vem alertando o poder público", diz Otávio Cunha, presidente-executivo da NTU. O estudo detalhado com os impactos da pandemia no setor de transporte público destaca também que, nesses 14 meses, 88 sistemas de transporte público por ônibus em todo o país foram atingidos por 238 movimentos grevistas, protestos e/ou manifestações que ocasionaram a interrupção da oferta de serviços em várias cidades.

Na maioria dos casos, os protestos foram motivados pela falta de caixa nas empresas para o pagamento de salários e benefícios para os colaboradores, devido ao desequilíbrio econômico-financeiro causado pela forte queda na demanda de passageiros.

Quanto à suspensão da prestação do serviço, a pandemia também deixou um saldo negativo. No período avaliado, 13 operadoras e 1 consórcio suspenderam as atividades; duas operadoras, um consórcio operacional e um sistema BRT (do Rio de Janeiro) sofreram intervenção na operação; cinco operadoras encerraram as atividades; e quatro tiveram seus contratos suspensos.

"O cenário só tende a piorar, enquanto o poder público nas três esferas de governo não atentar para as necessidades desse sistema. Há uma necessidade emergencial, de ajuda financeira imediata, e uma necessidade de longo prazo, de reestruturação total da forma de contratação e operação dos serviços", diz o presidente da NTU. Segundo ele, se nada for feito, o transporte público, em especial o ônibus coletivo urbano, pode não sobreviver após a pandemia.

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