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CEO do Web Summit considera trazer um evento para o Brasil em 2023

Evento reuniu 40 mil pessoas para debater temas como crypto, clima, metaverso e Facebook

Por Diego Ruiz e Jennifer Queen*

A edição de 2021 do Web Summit, maior evento de inovação do mundo, chegou ao fim ontem. Foram quatro dias intensos ao redor da Altice Arena, em uma das maiores concentrações de nerds do ano. Foi também o primeiro grande evento presencial de tecnologia, reunindo mais de 40.000 pessoas. Empresas como Amazon, Spotify, Microsoft, TikTok, Facebook, além de milhares de startups e investidores vieram conferir a programação de 20 palcos e quatro pavilhões em Lisboa, que teve como temas principais crypto, clima e, claro, metaverso e Facebook.

Em conversa exclusiva, o CEO e cofundador do Web Summit Paddy Cosgrave fala para a Bússola sobre as expectativas desta edição e os planos futuros para o evento.

Quais eram as suas expectativas?

Paddy Cosgrave: No início de junho, não tínhamos nenhuma expectativa. Ao longo de todo o verão, achávamos que provavelmente não chegaríamos nem a milhares de pessoas, a maioria dos palestrantes ainda nem estava viajando. Em setembro, Portugal começou a ir muito bem. Algumas empresas voltaram para nós, dizendo: ainda não estamos oficialmente viajando de novo, mas queremos ir para o Web Summit. Governos de Alemanha, Inglaterra, declararam seu apoio, ingressos começaram a ser vendidos, e startups já estavam se credenciando.

Os últimos dois meses foram uma montanha russa, e agora estamos aqui. Não é fácil, há muitos protocolos adicionais, precisamos seguir as regras da autoridade sanitária de Portugal. Trabalhamos em parceria próxima com a polícia, que precisa verificar todo mundo, inclusive de forma randômica. O acesso ao evento é ditado pelo PSP, a polícia nacional, e estamos felizes em seguir isso. Segurança acima de conveniência.

O resultado te surpreendeu?

Sim. Quando vemos as reações de jornalistas, nunca tivemos uma cobertura como essa. Acho que as pessoas estão muito animadas em estarem juntas de novo.

Vimos uma mudança na curadoria: maior participação de mulheres, clima entre os temas principais. Como foi esse planejamento?

Acreditamos que a grande mudança é a consciência, no ecossistema de tecnologia, de outros temas relevantes. Em 2014, começamos PlanetTech, com um palco dedicado para o meio ambiente. No mesmo ano, lançamos a iniciativa Women in Tech, para tentar endereçar a penetração de mulheres nesse setor — embora continue problemática, estamos fazendo a nossa parte.

Faz muitos anos que estamos discutindo impostos, e hoje há algumas resoluções. Muitos desses assuntos migraram dos palcos alternativos para os palcos principais, muitas vezes mesmo para o palco central. Nosso público quer saber mais sobre Facebook Whistleblower, reguladores. Muitos empreendedores acham que se o campo não é igual para todos, é muito difícil construir uma nova grande empresa.

Com a pandemia, também vimos que há uma abertura para a tecnologia estar a serviço das pessoas etc.

Acho que é uma responsabilidade dos governos garantir que novas plataformas de tecnologia sejam criadas para o bem público. Basta olhar para o setor automotivo. São tantas licenças, tantas regras, tanto policiamento, por que não podemos ter isso para mídias sociais? Você recebe uma ligação: estamos falando da Estação de Polícia do Instagram e achamos que o post que você acaba de publicar é inapropriado. Você acaba de ser multado em 80 dólares.

Talvez um meio-termo. Sim, é complexo, pois temos o limite da liberdade de expressão.

Participamos da edição de 2018 do evento, que aconteceu em Dublin. Estávamos curiosos para entender qual a principal diferença entre um evento local em Dublin e um evento global em Portugal?

O maior espaço de eventos em Dublin tem capacidade para 5.000 pessoas. O único outro lugar onde poderíamos fazer o Web Summit seria num lugar para apresentação de cavalos. O Web Summit acontecia ali.

Nosso evento ficou muito grande, a infraestrutura não comportava — pois estávamos lidando com pessoas, não cavalos. Mudar para Lisboa nos permitiu crescer, acomodar mais pessoas. Poder usar essa arena para a abertura — uma das maiores arenas da Europa — é uma grande vantagem. Normalmente, não fica nem próxima de cheio, mas na abertura, é muito bacana ver esses milhares de nerds, que não estão aqui para ver o U2 ou Coldplay, mas para ver nerds.

Lisboa também se tornou a capital da inovação na Europa. Passou da cidade esquecida do continente nesses últimos cinco anos para se tornar uma cidade cool, não apenas para europeus, mas também para americanos. Pessoas que moravam em Miami e estão de mudança para Lisboa porque é mais artística, o transporte público funciona.

Vocês têm dados sobre como o evento está ajudando a desenvolver a cidade?

Quando estávamos recebendo ofertas de outros lugares, eles estavam interessados em perceber. É bem difícil quantificar. Não queriam quanto isso traria em termos de ocupação de quartos de hotéis, ou novas receitas em táxis e restaurantes. Isso seria um benefício marginal. Queriam saber o que as pessoas pensavam sobre aquele lugar, para além de um grande produtor e exportador de vinho e produto. É um país tech-enabled. Todos os países que olhamos tinham essa expectativa: serem modernizados.

O grande benefício do Web Summit para Portugal foi a mudança de percepção sobre o país. Você pode ter algo pontual e garantir mais quartos de hotel ocupados, receita em restaurantes, mas num evento como esse o benefício é de longo prazo. Estamos falando com Brasília e Rio, eles não estão pensando em turismo. Querem, por exemplo, que as pessoas pensem no Rio como uma capital de tecnologia da América.

Quando veríamos um evento como esse na América Latina?

Nossa expectativa é 2023. Acreditamos que o Brasil é o lugar para se fazer um evento assim na região. São muitos brasileiros vindo para o Web Summit. A única pergunta é: qual é a melhor cidade? Cada brasileiro com que falo tem uma opinião diferente.

*Diego Ruiz é sócio do Grupo FSB e Jennifer Queen é diretora da FSB Comunicação focada em startups e venture capital

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