Bia Granja: Caro influenciador, seu conteúdo não vale nada!

O conteúdo gerado por um influenciador deve ser encarado como uma oportunidade de se conectar verdadeiramente com as pessoas

Acabei de sair de uma semana intensa, onde eu e a equipe da YOUPIX passamos alguns dias acelerando 65 influenciadores e os ajudando a identificar seu capital social para transformá-lo em negócio.

Pra mim, essa semana de aceleração é sempre muito reveladora do "Estado da Influência", pois as dúvidas, angústias e oportunidades trazidas por eles durante o programa servem como um gigante termômetro para esse mercado. 

Ainda sob o efeito de tudo o que ouvi e vivi com eles, me peguei pensando em algo que apareceu muito e é, quase sempre, uma das principais dores: como eu faço pra me diferenciar na internet?

Em um mercado onde só no Instagram temos mais de 9 milhões de influenciadores, se destacar e ser alguém na "fila da influência" não é tarefa fácil (apesar da – errada – percepção comum de que para influenciar é só postar selfie no Instagram). 

Se influência tem a ver com Capital Social, dá até pra dizer que existe uma "Desigualdade Social" rolando nesse mercado. Alguns tem muito, a grande maioria tem quase nada e todo mundo quer ter bastante. 

Internet é uma ferramenta poderosa de inclusão social, e grande parte disso reside na democrática oportunidade que ela traz para que qualquer pessoa tenha uma voz, gere conteúdo e, principalmente, reúna uma audiência para essa voz. Antes, essa possibilidade de ter audiência em larga ou média escala estava reservada para grupos com muito poder econômico. Hoje, todos podemos ser "Robertos Marinhos" de nós mesmos. Plim, Plim!

E, ao mesmo tempo em que isso é algo maravilhoso, pois traz diversidade e amplitude para sistemas e estruturas antes dominados por narrativas únicas, por outro lado, faz com que nós estejamos soterrados por um volume absurdo de conteúdo vindo de todos os lugares.

Hoje, conteúdo é um grande commodity, tem de monte, todo mundo faz. Esse texto que você lê, aquele post no Instagram, o videozinho do TikTok… nada disso tem valor em si. O verdadeiro valor está no que as pessoas TIRAM disso tudo. E eu vejo que poucos creators ou influenciadores (e também marcas) entendem qual é esse valor que eles geram de fato.

Uma vez, em um desses cursos de inovação famosos, ouvi a história de como o McDonald 's precisava aumentar as vendas do McShake e pra isso foi fazer uma grande pesquisa, onde detectou que o produto era consumido, principalmente, entre 8h e 9h da manhã. As pessoas consumiam em seus carros, enquanto dirigiam para o trabalho, e o McShake era a bebida perfeita para a viagem: o líquido quente chegava frio, o líquido frio chegava quente e o milkshake, por ser mais denso, durava a viagem toda. O grande valor que as pessoas tiravam disso era uma companhia para a viagem. Como nos EUA as pessoas costumam estar sozinhas em seus carros, o McShake era um amiguinho para essa jornada até o trabalho. OLHA QUE LOUCO!

Eu acho essa história incrível, e ela tem tudo a ver com o mercado de influência hoje. Quando, por exemplo, a gente assiste a um tutorial de maquiagem no Youtube, para além de aprender a passar o delineador ou fazer o contorno, temos a oportunidade de explorar nosso próprio conceito de beleza e melhorar nossa autoestima. A importância dessas coisas é muito maior do que o aspecto funcional daquele tutorial.

O conteúdo gerado por um influenciador deve ser encarado como uma oportunidade de se conectar verdadeiramente com as pessoas, de ter significado na vida delas e gerar valor. 

Quer se destacar? (E isso vale também para marcas). Entenda que essa é a verdadeira cola, o verdadeiro ouro da influência. Todo o resto é perfumaria. Número de seguidor? Esquece! No mundo da influência, isso é só uma métrica de visibilidade e vaidade, mas não de valor.

*Bia Granja é cofundadora e CCO da YOUPIX, consultoria de negócios para a influence economy. Bia é a maior especialista em influência digital do país

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