As lições do presidente americano John Kennedy para o mundo atual

Executivo da Vale compara os obstáculos enfrentados por JFK com os desafios dos dias de hoje

Se o presidente Kennedy estivesse vivo, certamente estaria buscando um novo grande salto para a humanidade. Recentemente reli o livro “To Move the World: JFK's Quest for Peace”, do renomado economista Jeffrey Sachs, e não pude parar de pensar nos enormes obstáculos que o presidente americano enfrentou em seu tempo e o paralelo que podemos traçar com os desafios do mundo atual, bem como os ensinamentos que a sua gestão e liderança nos deixaram de legado.

A nossa geração enfrenta desafios gigantescos neste início do século 21 e vivemos mudanças de paradigmas e comportamentos sociais em uma velocidade assustadora, aceleradas ainda mais pelo impacto da pandemia de Covid-19. Por um instante, convido o leitor a refletir sobre os paradigmas que o mundo enfrentava no início dos anos 60, quando John Fitzgerald Kennedy assumiu o posto mais poderoso do planeta como o 35º presidente dos Estados Unidos. A Guerra Fria entre os EUA e a União Soviética (URSS) atingia o seu pico e o mundo esteve muito perto de uma guerra nuclear, por ocasião da Invasão da Baía dos Porcos em Cuba e as tensões entre as duas superpotências.

A questão racial e os direitos civis foram colocados em evidência quando Kennedy e o seu irmão Bob, então procurador-geral, lutaram por ampliar os direitos sociais e promover a integração racial nos EUA. A guerra do Vietnã, também motivada por questões ideológicas no âmbito da Guerra Fria, começava a escalar e aumentava a presença militar em território vietnamita, assim como as baixas entre os jovens soldados americanos. Seu governo também foi marcado pela aproximação com os países mais pobres da América Latina, através de ajuda financeira pela Aliança para o Progresso. Ainda presenciou a construção do Muro de Berlim.

Fiz questão de mencionar fatos históricos importantes vividos por Kennedy que, a exemplo dos que enfrentamos atualmente, mudaram o rumo da humanidade. No meio de tantas tensões, questões de alta complexidade, o então presidente desafiou o mundo ocidental, com seu carisma e liderança, quando propôs levar o homem à lua. Tal desafio antes do fim da década de 60, sem a tecnologia disponível para tamanha façanha, os materiais apropriados e o conhecimento técnico, fez com que houvesse uma corrida que propiciou uma verdadeira quebra de paradigmas. Houve avanços tecnológicos notáveis como a criação da Nasa, a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de talentos, com enormes benefícios para as gerações que se sucederam.

Se Kennedy estivesse na presidência atualmente, tenho absoluta convicção de que lançaria um novo desafio para a humanidade. Não uma corrida tecnológica ou armamentista para uma supremacia militar americana, mas sim para promover uma transição ainda mais célere para a economia de baixo carbono, bem como promover um mundo com maior integração entre os povos. Promovendo o bem estar social ao mesmo tempo que estivesse freando o aquecimento global. Lançaria um desafio para tornar os Estados Unidos um país carbono neutro antes do fim da década de 40, promovendo uma nova corrida tecnológica, agora para o desenvolvimento de baterias e a geração de energias renováveis, objetivando uma maior eficiência e menor consumo de recursos naturais. Não menos importante, fomentaria a economia para diminuir as diferenças sociais entre os desiguais.

Em seu famoso discurso Estratégia para a Paz, feito no Commencement Day na American University, em Washington, em 10 de junho de 1963, o presidente já nos ensinava: “O laço essencial que nos une é que todos habitam esse planeta. Todos respiramos o mesmo ar. Todos nos preocupamos com o futuro de nossos filhos. E todos somos mortais.” Hoje, Kennedy lançaria um novo desafio para a humanidade: controlar e reverter o aquecimento global, a maior questão a ser enfrentada por esta geração, e estaria ao mesmo tempo promovendo uma agenda para maior integração racial e o fortalecimento dos direitos civis, como fez nos anos 60. Buscaria, em suas próprias palavras, “promover iguais oportunidades para promover talentos diferentes.

*Luiz Eduardo Osorio é Diretor-Executivo de Relações Institucionais, Comunicação e Sustentabilidade da Vale  

 

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