7 em cada 10 negros sofreram preconceito em loja, restaurante ou mercado

Grupo Carrefour Brasil anunciou novas medidas antirracismo e fez balanço dos compromissos assumidos, em evento na quarta

Um levantamento do Instituto Locomotiva sobre racismo nas corporações encomendado pelo Carrefour diz que apenas 4% dos brasileiros se consideram racistas, apesar de a maioria achar que o país é racista. Na prática, a realidade: sete entre cada dez negros já sofreram preconceito em lojas, shoppings, restaurantes ou supermercados. "Praticamente não existe divergência na sociedade brasileira sobre a existência do racismo estrutural. No entanto, o brasileiro acha que o Brasil é racista, mas os racistas são outros. Isso só reforça que para ser antirracista é preciso ter tolerância zero", diz Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.

O estudo foi apresentado em durante um evento online organizado peo Carrefour na última quarta-feira (28) e que reuniu mais de 16 mil parceiros para debater o racismo nas corporações, além de divulgar novas medidas em prol da equidade e diversidade na sociedade. Segundo os dados apurados, 61% dos brasileiros afirmam ter presenciado um ato de discriminação racial com negros em estabelecimentos comerciais. Em relação ao mercado de trabalho, 76% dos entrevistados consideram que pessoas negras são discriminadas em suas profissões atuais ou durante a busca por novas oportunidades de emprego.

Também participaram do evento os CEOs Marcelo Melchior, da Nestlé,  e Juliana Azevedo, da P&G, e nomes conhecidos no combate ao racismo como Rachel Maia, Silvio Almeida, Celso Athayde e Adriana Barbosa.

Para o advogado, filósofo e professor Silvio de Almeida, o brasileiro, em geral, trata como padrão a falta de negros, pretos e pessoas de pele parda ou retinta em diversos setores da sociedade. "Se olharmos para o nosso cotidiano, vamos perceber que tornamos como absolutamente normal a não convivência com pessoas negras e a não convivência com pessoas indígenas, por exemplo. Ou seja, nós naturalizamos a ausência de determinados grupos sociais, especialmente em espaços de tomada de decisão."

Rachel Maia, ex-CEO da Lacoste no Brasil e que atualmente ocupa cadeira em conselho de diversas empresas, reforçou a importância da diversidade nas lideranças. “As pessoas precisam entender que a pluralidade tem que estar no olhar. Somente assim a gente vai passar a ter líderes negros, pretos, pessoas de pele parda ou retinta sentados na cadeira de presidente.”

Paralelamente ao evento, o Grupo Carrefour lançou a campanha #juntosparatransformar, criada pela Publicis, com consultoria do Plano Feminino.  A campanha será veiculada em canais da TV aberta e paga no horário nobre, jornal, redes sociais e lojas da rede.

Impacto positivo

Durante o evento, o Grupo Carrefour Brasil também anunciou um novo compromisso no combate ao racismo. A partir de agora, a empresa passa adotar uma cláusula antirracista em todos os seus contratos com fornecedores e prestadores de serviço em todo o país. A medida apresentada especifica que qualquer fornecedor, ou prestador de serviço, que apresentar uma atitude racista terá o contrato rompido e sofrerá a aplicação de uma multa, que será revertida em ações para valorização dos direitos humanos. Além da nova cláusula, o grupo trouxe um balanço dos oito compromissos assumidos para combater a discriminação racial, apresentados em novembro do ano passado, após a morte de João Alberto em uma de suas lojas, em Porto Alegre.

Para Noel Prioux, CEO do grupo, é função da organização liderar o debate sobre temática junto ao mercado e compartilhar com todos os aprendizados adquiridos nas mais diversas frentes de combate ao racismo. “Nosso papel vai muito além da simples geração de lucro, receita e empregos. Devemos ter um impacto positivo na sociedade como um todo através das nossas ações, promovendo a diversidade e agindo verdadeiramente como antirracistas”, disse.

Um dos temas-chave dos compromissos, a segurança interna das lojas, teve destaque na apresentação. A empresa falou das novas diretrizes, que abrangem um tom mais acolhedor por parte dos fiscais. Com investimento de mais de R$ 5 milhões, foram implementadas mudanças como internalização dos agentes de fiscalização, o que está em piloto em Porto Alegre e deve ser multiplicado para todas as lojas do Brasil até o mês de outubro, e capacitação. Ainda foram abordados projetos de fomento ao empreendedorismo negro, apoio a iniciativas de combate ao racismo e fortalecimento de organizações da sociedade civil com ênfase na população negra no Brasil.

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