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3 perguntas de ESG para Fernando Sampaio, da Sanofi

Presidente no Brasil da gigante francesa de medicamentos fala de ações que colocam a empresa na vanguarda de diversidade, equidade e inclusão no país
 (Bússola/Divulgação)
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Renato Krausz*

Publicado em 10/11/2022 às 15:04.

Última atualização em 22/11/2022 às 19:06.

1) Quais são as principais estratégias de DE&I (diversidade, equidade e inclusão) da Sanofi e como elas têm sido implementadas?

Fernando Sampaio: A Sanofi possui um conjunto amplo de iniciativas voltadas a DE&I, porque entendemos a grande importância de criar e manter um ambiente de trabalho cheio de oportunidade e representatividade e o quanto isso nos fortalece como negócio. Por isso nossa estratégia e, consequentemente, todas as iniciativas se apoiam em três pilares: construir lideranças e times que representam a diversidade da sociedade brasileira; criar um ambiente de trabalho com segurança psicológica e uma cultura inclusiva, onde todas as pessoas possam ser e fazer o seu melhor; engajar-nos com as nossas comunidades de modo a amplificar o impacto do que fazemos com foco em transformar a vida das pessoas.

Nosso compromisso com a diversidade vai além de nossas práticas internas e se manifesta por meio da nossa adesão a iniciativas como o projeto Equidade é Prioridade: Raça e Etnia, da Rede Brasil do Pacto Global, da ONU, o Pacto pela Inclusão de Pessoas com Deficiência da REIS - Rede Empresarial de Inclusão Social, o Fórum de Empresa e Direitos LGBTI+, os Princípios de Empoderamento Feminino da ONU Mulheres e o Movimento Mulher 360, dos quais somos signatários.  Essas parcerias nos possibilitam não só participar da agenda de diversidade, equidade e inclusão de maneira mais abrangente como contribuem para reforçar nosso compromisso e nos instrumentalizar para aprimorar nossas práticas e desenvolver políticas e procedimentos focados em ações afirmativas.

Quando falamos em representatividade, assumimos alguns compromissos concretos, que pretendemos atingir até 2025, como ter 30% de contratações de profissionais pretos e pardos. Nesse sentido, lançamos em 2022 nosso primeiro programa de estágio 100% afirmativo para pessoas pretas e pardas. Além desse, nós nos comprometemos em aumentar a representatividade também em outros recortes, como gerações, com a meta de 22% de profissionais de 50 anos ou mais, acima dos 16% que temos hoje em nossos quadros.

Para chegar lá, desde 2021 temos o processo de busca intencional de talentos com esse perfil. Da mesma forma, ambicionamos ter 7% de talentos com deficiência em nosso quadro de colaboradores, motivo pelo qual trabalhamos continuamente com contratações afirmativas.  Indo além da representatividade, estabelecemos também indicadores específicos para medir nosso impacto na construção de uma cultura cada vez mais inclusiva e na nossa capacidade de influenciar o cenário externo, desde a nossa cadeia de valores até a nossa marca empregadora.

2)  E quais são os principais resultados? Já foi possível medir o impacto que a diversidade traz para os negócios e para o engajamento das pessoas?

Fernando Sampaio: Os principais resultados podem ser percebidos a partir do alto engajamento nas iniciativas voltadas à diversidade, equidade e inclusão. Por exemplo, tivemos em maio deste ano, o programa de estágio 100% afirmativo apenas para pessoas pretas e pardas, onde recebemos quase 5 mil inscrições para 38 vagas, o que comprova que a Sanofi está sendo vista e considerada pelo mercado como uma empresa diversa para candidatos de diferentes grupos. Há quase três anos, lançamos a licença parental estendida, que permite que os pais tirem até seis meses de licença, independentemente do gênero, modelo familiar ou se a criança foi nascida na própria família ou adotada.

O resultado foi que de janeiro de 2020 a dezembro de 2021, 48% dos colaboradores homens da Sanofi no Brasil que saíram de licença paternidade optaram pela licença parental estendida e, até julho deste ano, o acumulado era de 52% desde que o benefício foi anunciado e 68% se considerarmos somente o período de janeiro a julho de 2022; em julho deste ano, a adesão chegou a 82%, reforçando a tendência de alta. Além disso, temos uma excelente participação interna nos grupos de afinidade dentro dos nossos 5 pilares estratégicos e prioritários: Equilíbrio de gêneros, Raça & Etnias, Pessoas com Deficiência, LGBTQIAP+ e Geração+ reúnem mais de 100 colaboradores que dedicam parte do seu tempo para idealizar e executar atividades de educação, letramento, desenvolvimento e outras. Percebemos os impactos disso na atração de talentos e por meio dos bancos de talentos. A diversidade ainda é fundamental para que tenhamos diferentes pontos de vista e possamos mudar a forma como trabalhamos.

3)   Na questão ambiental, quais foram os principais avanços mais recentes?

Fernando Sampaio: Buscamos minimizar o impacto ambiental das nossas atividades e fortalecer nossa atuação frente aos desafios ambientais. Em linha com isso, nossa meta global é reduzir em 55% a emissão de gases de efeito estufa de 2019 a 2040, ter 100% de energia renovável em nossas operações e uma frota de veículos neutra em carbono até 2030. Entre abril de 2018 e maio de 2022, compensamos o equivalente a 15.400 toneladas de CO2 com o plantio de árvores.  Além disso, trabalhamos desde 2021 com o serviço de courier carbono zero, com frota totalmente baseada em veículos elétricos.

Levamos iniciativas importantes também para a cadeia de fornecedores. Há 10 anos substituímos o uso de galões de 4 litros de vidro por barris retornáveis. Ao longo dessa década, contabilizamos uma economia equivalente a mais de 60 toneladas de vidro, que antes eram incinerados, ou seja, um enorme benefício ao meio ambiente. Já em nossa fábrica de Suzano, os últimos avanços foram a criação de uma estação de tratamentos de efluentes para cuidar internamente da água, que antes era enviada para o tratamento da Sabesp.

Por lá também reciclamos cerca de 99% dos resíduos gerados pelo processo de produção internamente, apenas 1% é enviado para aterro sanitário. Na fábrica de Campinas, implementamos em 2021 uma composteira mecanizada que realiza a biodigestão de 150kg/dia de resíduo orgânico do refeitório. A economia até agora foi de 53 toneladas de resíduo que antes era enviado para o aterro, resultando em uma eliminação de 83.104 KgCO2 da atmosfera, equivalente a 1.383 árvores plantadas nesse período.

*Renato Krausz é sócio-diretor da Loures Comunicação

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