Editor de Macroeconomia
Publicado em 29 de setembro de 2026 às 22h27.
O ex-governador de Minas Gerais e candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, reforçou nesta terça-feira, 29, que pretende seguir na disputa até o primeiro turno, apesar da pressão e dos boatos de que ele retiraria sua candidatura para apoiar o senador e líder da oposição nas pesquisas, Flávio Bolsonaro.
Zema afirmou que tem um compromisso com o partido e com seus apoiadores e comparou uma eventual desistência a um time que abandona uma partida antes de seu encerramento.
“Tenho um compromisso com o meu partido, tenho compromisso com apoiadores e sempre fui de levar adiante o projeto até o final. Fica, na minha opinião, muito feio para um time sair de campo antes do jogo acabar”, afirmou Zema durante evento do grupo Esfera Brasil em São Paulo.
O candidato reconheceu as dificuldades enfrentadas por sua candidatura na disputa, mas disse acreditar nas propostas defendidas pelo Novo. As pesquisas mostram que ele gira em torno de 1% das intenções de voto.
Ele participará também do debate da TV Globo, após uma decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinar que ele e outros membros de seu partido participassem do programa.
“Tenho plena ciência das dificuldades [da campanha], mas eu acredito muito, mas muito mesmo, nas propostas do partido Novo, que já mostrou os seus resultados, não só em Minas Gerais, como também em Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, onde nós elegemos um prefeito há 6 anos atrás”, afirmou.
A declaração ocorre em meio a uma pressão crescente por uma concentração de candidaturas da direita na reta final do primeiro turno.
Nos últimos dias, integrantes do próprio Novo passaram a defender movimentos de união com outros partidos. O deputado Ricardo Salles (Novo-SP), por exemplo, desistiu de sua candidatura ao Senado em São Paulo.
Zema disse estar ciente dessa discussão, mas argumentou que apenas a retirada isolada de seu nome teria pouco impacto sobre a disputa presidencial. Na avaliação dele, o cenário seria diferente caso houvesse uma movimentação conjunta de diversos candidatos.
“Vou estar até o último minuto. Sei que existe esse discurso, como aconteceu com o Ricardo Salles ontem, que inclusive é do meu partido, a se encorpar a direita. Quem acompanha os números sabe que não é bem assim. Nós teremos um segundo turno”, disse Zema.
“Talvez, em termos de marketing, faça sentido: 'está tendo a adesão desse candidato, desse candidato'. Mas [adesão] só da minha [campanha] não vai mudar muita coisa", afirmou.
"Agora se vier um bloco de candidatos, aí é outra figura", afirmou. "Mas sabemos que muito dificilmente isso vai acontecer.”
O ex-governador afirmou ainda que considera sua candidatura importante para apresentar propostas que, segundo ele, não são defendidas pelos demais concorrentes.
“E eu tenho também a responsabilidade de carregar essas propostas do meu partido que nenhum outro carrega. A nossa visão é de longo prazo. Não é uma eleição que vai mudar o Brasil, nós precisamos de algumas boas gestões para colocarmos o Brasil em outro patamar”, disse.
Zema também vinculou sua candidatura ao esforço do Novo para superar a cláusula de barreira, mecanismo que condiciona o acesso dos partidos a recursos do fundo partidário e ao tempo de propaganda partidária ao desempenho eleitoral.
“Estamos lutando para cumprir a cláusula de barreira. Não vai ser fácil, mas estamos fazendo tudo o que é possível. E não me aliei [a ninguém] até esse momento, nem vou me aliar no primeiro turno. Mas no segundo turno, eu já deixei claríssimo, estarei contra o PT. A minha missão de vida, para encerrar aqui essa primeira questão, é estar do lado oposto ao PT”, disse.
Zema afirmou, portanto, que não pretende fazer uma aliança no primeiro turno, mas reiterou que, em uma eventual segunda etapa da eleição, apoiará uma candidatura adversária ao PT.
“Porque o PT destruiu Minas Gerais, o PT provocou a maior recessão da história do Brasil em 2015 e 16, enquanto o mundo todo crescia, e nós estávamos no pior, sofri essas consequências e virou um motivo da minha vida. Acho que é uma missão muito nobre, concorda? Né, combater o PT.”
Ao longo da fala, Zema também voltou a defender a experiência de sua gestão em Minas Gerais e a dizer que o Novo representa um modelo de maior transparência no setor público.
“É aquilo que o Brasil precisa: transparência total. Quem lida com recursos públicos, quem ocupa cargo público, não pode esconder nada", afirmou.
O candidato também fez críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e atribuiu medidas recentes do governo a interesses eleitorais.
“E nós estamos vendo o que o Lula está fazendo nesses últimos dias, semanas, para poder recuperar ou melhorar a sua popularidade", disse. "Não vou nem repetir aqui que todo mundo acompanha o noticiário e sabe. É um exemplo claro de irresponsabilidade total com a coisa pública. Para ter vantagem numa eleição, vende a alma para o diabo.”
Ao recordar a própria campanha à reeleição ao governo mineiro, em 2022, Zema afirmou que tomou decisões que poderiam prejudicá-lo eleitoralmente para, segundo ele, preservar as contas públicas.
Ele também criticou a possível não participação de Lula no debate da TV Globo. Segundo ele, o petista deve "temer o debate".
"Um governo podre, desacreditado, deve ter muitos motivos para não ir", afirmou.
Como mostrou a EXAME em agosto, a ausência do então governador de Minas Gerais no primeiro debate presidencial, promovido pela Band, reacendeu entre lideranças da sigla discussões sobre uma eventual desistência da candidatura.
Parlamentares e dirigentes ouvidos reservadamente pela EXAME avaliaram à época que a campanha estava apagada e que Zema desperdiçava oportunidades de exposição, especialmente por não contar com tempo de rádio e televisão.
A preocupação também passava pela eleição para a Câmara. Um dos argumentos para o lançamento de Zema à Presidência era que uma candidatura própria poderia impulsionar os candidatos do Novo a deputado federal e ajudar o partido a superar a cláusula de desempenho.
Uma ala da legenda temia que uma campanha presidencial com baixa exposição e pouca intenção de voto não cumprisse esse papel. Apesar das críticas internas, Zema e a direção nacional do Novo mantiveram a candidatura.
Seu vice, o senador Eduardo Girão, classificou à época os rumores de desistência como “a maior fake news” que já havia ouvido.