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Violência no Guarujá: o que se sabe sobre as mortes na cidade após PM da Rota ser baleado?

Governador Tarcísio afirmou que operação deixou oito mortos, mas o governo informou anteriormente em três óbitos

São Paulo: Estado enfrenta aumento nos índices de violência (Mongkol Nitirojsakul / EyeEm/Getty Images)

São Paulo: Estado enfrenta aumento nos índices de violência (Mongkol Nitirojsakul / EyeEm/Getty Images)

Estadão Conteúdo
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Agência de notícias

Publicado em 31 de julho de 2023 às 13h37.

A morte do soldado militar Patrick Bastos Reis, de 30 anos, na quinta-feira, 27, no Guarujá, no litoral do Estado de São Paulo, desencadeou uma grande operação policial nos últimos dias para encontrar os suspeitos envolvidos no crime. Participaram da ação 600 agentes de equipes especializadas das polícias Civil e Militar do litoral de São Paulo.

Alvos de tiros, Reis e o cabo Fabiano Oliveira Marin Alfaya foram baleados durante patrulhamento. Reis foi socorrido, mas não resistiu aos ferimentos. Alfaya foi atendido e permaneceu em observação na sexta-feira, 28.

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Nesta segunda-feira, 31, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse que a operação da Polícia Militar no Guarujá ao longo do fim de semana deixou oito pessoas mortas. Anteriormente, o governo falava em três óbitos.

Questionado sobre denúncias da população local, o governador disse que “não houve excesso”. “Houve atuação profissional que resultou em prisões e vamos continuar com as operações.”

Em qual região do Guarujá os policiais foram baleados?

Os dois policiais militares das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), tropa de elite da Polícia Militar, foram baleados quando faziam patrulhamento, na noite de quinta-feira, no Guarujá, no litoral do Estado de São Paulo.

De acordo com a PM, os policiais estavam próximos do túnel da Vila Zilda, por volta das 22 horas, quando foram alvos de tiros. O local é conhecido como ponto de tráfico de entorpecentes.

Os policiais faziam parte de um reforço enviado para o litoral para combater a criminalidade na região, com foco no tráfico de drogas e roubos de cargas. Guarujá viveu uma onda de violência, com roubos, arrastões e assassinatos, nos primeiros meses deste ano.

Quem são os policiais baleados no Guarujá?

O soldado Patrick Bastos Reis, de 30 anos, foi atingido na região do tórax, mas não resistiu aos ferimentos e morreu quando recebia atendimento.

O cabo Fabiano Oliveira Marin Alfaya foi baleado na mão esquerda. Ele foi internado e permaneceu em observação na sexta-feira.

O soldado morto morava em São Paulo e praticava jiu-jitsu. O PM era o atual campeão do circuito paulista na modalidade faixa azul, categoria master médio.

A academia onde ele treinava o esporte fez uma publicação lamentando a morte do “nosso aluno e grande amigo”. Em sua página no Facebook, a Rota homenageou o policial.

O que disseram as autoridades no dia da morte do soldado?

A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) lamentou a morte do policial e disse que a ocorrência foi encaminhada para a Polícia Civil.

Também em nota, a Polícia Militar do Estado de São Paulo manifestou “luto” pelo falecimento do soldado Reis, pertencente ao 1.º Batalhão da Polícia de Choque - Rota, durante “sua nobre missão de proteger a sociedade”.

A nota informou ainda que ele ingressou na PM em dezembro de 2017 e exerceu suas funções “com grande dedicação e zelo com o que lhe era confiado, sendo um profissional dedicado, amigo e exemplar”.

Os responsáveis pelo crime foram presos?

Ainda na tarde de sexta-feira, 28, a Polícia Militar disse que prendeu dois suspeitos. Um terceiro suspeito foi morto em confronto com a Rota. Os policiais alegaram que houve resistência armada e o suspeito recebeu vários tiros. Outras pessoas com possível envolvimento no ataque foram identificadas e começaram a ser procuradas pela polícia. Posteriormente, outras pessoas foram presas, incluindo o responsável pelo disparo que matou o soldado Reis.

Foi iniciada operação policial para encontrar os outros suspeitos?

A Operação Escudo, realizada pela Polícia Militar, mobilizou um grande contingente de policiais. Acessos a bairros foram bloqueados. Participaram da ação 600 agentes de equipes especializadas das polícias Civil e Militar do litoral de São Paulo.

A gestão estadual disse nesta segunda-feira, 31, que dez pessoas foram presas, incluindo o homem suspeito de atirar contra o soldado Reis.

Quantas mortes foram registradas durante a operação policial? A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo vai investigar a ação policial?

A Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo afirma que dez pessoas foram mortas durante a operação policial no Guarujá para encontrar o suspeito de atirar e matar o policial militar Reis, de 30 anos, membro da Rota, na quinta-feira, no Guarujá, litoral de São Paulo.

O suspeito foi preso no domingo, 30. Ele se entregou ao lado do Terminal Santo Amaro, na zona sul da capital paulista. Ele foi levado para Corregedoria da PM e, de lá, para a delegacia responsável pelo caso, no litoral.

A prisão foi anunciada pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas redes sociais.

O que disse o governador de São Paulo sobre as mortes registradas pela Ouvidoria da polícia?

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), disse nesta segunda-feira que a operação da Polícia Militar no Guarujá ao longo do fim de semana deixou oito pessoas mortas. A ação foi desencadeada após a morte de um soldado das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) no fim da semana passada.

Entre as oito pessoas mortas na operação deste fim de semana, quatro já foram identificadas e têm passagens pela polícia, segundo o governo. Os outros 4 continuam em processo de identificação.

Tarcísio concedeu entrevista coletiva à imprensa na manhã desta segunda-feira para falar sobre a operação. Questionado sobre denúncias da população local, o governador disse que “não houve excesso”. “Houve atuação profissional que resultou em prisões e vamos continuar com as operações.”

“Não podemos permitir que a população seja usada, não podemos sucumbir às narrativas. Estamos enfrentando o tráfico de drogas, o crime organizado. A gente tem que ter consciência disso. A gente tem uma polícia extremamente profissional que sabe usar a força na medida que ela tem que ser usada. Não houve hostilidade excesso, houve atuação profissional que resultou em prisões e vamos continuar com as operações”, disse ainda o governador.

O que irá ocorrer a partir de agora?

Uma visita ao Guarujá está sendo avaliada pela Ouvidoria entre terça, 1º, e quarta-feira, 2, para ouvir as famílias e as comunidades sobre os fatos ocorridos.

A Ouvidoria vai investigar a veracidade de áudios e relatos de moradores sobre torturas e abusos de policiais. De acordo com membros da comunidade, a operação “colocou terror” na comunidade.

Moradores do município relataram ainda que policiais prometeram matar ao menos 60 pessoas em comunidades da cidade. Ainda segundo os moradores, o foco da operação eram pessoas com antecedentes criminais e tatuagens. Os boatos tiveram o teor negado pelo governo do Estado.

Um vendedor ambulante teria sido morto com 9 tiros na sexta-feira. A família dele teria encontrado o rapaz com queimaduras de cigarro e um corte no braço.

Por sua vez, o governador de São Paulo disse que os casos que resultaram em mortes serão investigados pela Polícia Civil. “Cada ocorrência é investigada, não há ocorrência que não seja investigada. Todas vão ser investigadas.” O governador pontuou que “a polícia quer evitar o confronto de toda forma”.

“Nós temos uma polícia treinada e que segue a risca a regra de engajamento. A partir do momento que a polícia é hostilizada, do momento que há o confronto, do momento que a autoridade policial não é respeitada, infelizmente há o confronto”, disse Tarcísio nesta manhã de segunda-feira.

Arma que realizou o disparo ainda não foi apreendida

De acordo com o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, não foi apreendida ainda a arma que realizou o disparo contra o policial Reis. No entanto, a perícia mostrou que seria uma pistola de calibre de 9 milímetros. O secretário informou ainda que o PM utilizava colete a prova de balas quando foi atingido, mas a bala penetrou em seu ombro em um ângulo em que foi possível chegar até o peito do agente.

Derrite justificou as mortes dizendo que a violência parte dos criminosos e a polícia supostamente reage de maneira proporcional a ela. De acordo com ele, serão investigadas as imagens das câmeras das fardas dos PMs que participaram da operação para averiguar se houve excessos, mas a Secretaria entende que as denúncias de tortura e excesso de força policial não passam de “narrativas”.

“Não chegou oficialmente nenhuma informação ou indício sobre caso de tortura”, afirmou.

Derrite disse ainda que o homem que se apresentou como o autor do disparo contra o soldado é a pessoa que realmente está envolvida no crime, segundo apontam indícios coletados pelos investigadores.

A polícia teria encontrado uma nota fiscal no local do crime e, a partir disso, chegou a um estabelecimento comercial em que uma uma mulher - supostamente envolvida no crime e posteriormente presa - teria comprado um salgado horas antes. A partir disso, foram investigadas câmeras de segurança na região e encontrada a suspeita, que delatou outros criminosos, alguns deles também já presos.

Estado tem alta de mortes pela polícia no primeiro semestre

As mortes em decorrência de intervenção policial subiram 9,4% nos seis primeiros meses do ano no Estado de São Paulo. Foram 221 registros, ante 202 no mesmo período do ano passado, segundo dados divulgados na terça-feira, 25, pela SSP. Os casos foram puxados por ocorrências envolvendo agentes em serviço, que saltaram 28,57% no primeiro semestre - de 133 para 171.

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