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Veja a lista de empresários que vão cobrar de Mourão o fim do desmatamento

Reunião nesta sexta-feira irá discutir planos efetivos de combate ao desmatamento ilegal no país. Empresários prometem levar soluções ao governo

Um grupo de empresários e executivos se reunirá, na tarde desta sexta-feira, com o vice-presidente Hamilton Mourão. Na pauta, medidas para combater o desmatamento ilegal na Amazônia. Mourão comanda o Conselho Amazônia, colegiado de 14 ministérios que tem o objetivo de coordenar ações federais na região. 

Participam do encontro, que será por videoconferência: 

  • Marina Grossi, presidente do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds)
  • Marcello Brito, presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag)
  • Paulo Hartung, presidente da Indústria Brasileira da Árvore (Ibá)
  • João Paulo Ferreira, CEO na América Latina da Natura
  • Water Schalka, CEO da Suzano
  • André Araujo, CEO da Shell
  • Paulo Sousa, CEO da Cargill
  • Marcos Antonio Molina dos Santos, presidente do conselho de administração da Marfrig
  • Candido Botelho Bracher, CEO do Itaú
  • Luiz Eduardo Osorio, diretor executivo de relações institucionais, comunicação e sustentabilidade da Vale.

Além de debater sobre medidas efetivas de combate ao desmatamento, os empresários prometem levar ao governo soluções e políticas públicas que podem induzir o desenvolvimento de uma agenda de negócios de baixo carbono. A reunião será fechada.

Mourão pede recursos, mas investidores cobram resultados

Na manhã de quinta-feira, o governo realizou uma reunião com investidores estrangeiros para tentar convencê-los de que tem atuado para reduzir o desmatamento na região da Amazônia Legal. A ideia é propor que a iniciativa privada invista financeiramente na preservação ambiental no Brasil.

Após a reunião, o vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse que os investidores internacionais querem “ver resultados” na área ambiental para destinar recursos para o Brasil. Mourão ressaltou que os investidores não se comprometeram com investimentos. Amanhã, está programada outra reunião, dessa vez com empresas signatárias da carta, como a Cosan. 

Críticas internacionais

Internacionalmente, o governo brasileiro vem sendo duramente criticado. “A imagem externa afeta o ambiente interno de negócios”, afirma Alexei Bonamin, sócio de Mercado de Capitais do escritório TozziniFreire Advogados. “Não é uma questão de ideologia. Precisamos encarar o assunto de maneira técnica e pragmática.”

Há duas semanas, 29 instituições financeiras que gerenciam mais de 3,7 trilhões de dólares em ativos enviaram uma carta a nove embaixadas brasileiras dizendo que o Brasil precisa frear o desmatamento na Amazônia, sob risco de alimentar “uma incerteza generalizada sobre as condições para investir ou fornecer serviços financeiros ao Brasil.”

“Nós precisamos desse capital estrangeiro e ele tem ido embora”, afirma Gustavo Pimentel, diretor da Sitawi, especializada em investimentos de impacto. “No momento em que o governo fala sobre um plano de investimentos em infraestrutura em parceria com a iniciativa privada, não pode enviar mensagens trocadas.” 

Risco às exportações

A deterioração da imagem do Brasil lá fora também prejudica as exportações. Empresas como a Natura, que recentemente comprou a Avon, terão dificuldade de acessar mercados externos de alto valor agregado, como os europeus, caso seus produtos sejam associados ao desmatamento. A Cargill, recentemente, teve suas rações bloqueadas por um dos maiores produtores de salmão da Noruega em virtude da presença de soja brasileira. “Para o agronegócio, essa é uma pauta fundamental. Produzir de forma sustentável é mais rentável”, afirma Grossi, do Cebds. 

Ações de marketing ou campanhas publicitárias não serão suficientes para limpar a imagem brasileira da fuligem dos desmatamentos. Desde a Eco 92, no Rio de Janeiro, o Brasil assumiu uma série de compromissos internacionais relacionados ao clima — muitos deles surgiram por iniciativa do próprio país. 

Para Nour Bouhassoun, presidente da Michelin na América do Sul, esses compromissos são prioritários e é para isso que a carta chama a atenção. “Estamos convictos de que não há futuro sem que tudo seja sustentável”, afirma Bouhassoun. “Além de uma ameaça à vida, que é o mais preocupante, o desmatamento ilegal causa problemas econômicos sérios, pois impacta diretamente diversos negócios e investimentos. Dessa forma, entendemos ser de fundamental importância a carta enviada ao vice-presidente da República.”

 

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