Em maio, o país foi retirado da lista de nações autorizadas a exportar carne para a UE (Freepik)
Repórter
Publicado em 31 de agosto de 2026 às 16h18.
Última atualização em 31 de agosto de 2026 às 18h13.
A União Europeia vai suspender, a partir de quinta-feira, 3, as importações de carne bovina e de aves de criação procedentes do Brasil. A decisão foi anunciada nesta segunda-feira, 31, pela Comissão Europeia.
Segundo o órgão, a medida permanecerá em vigor enquanto o bloco aguarda garantias do Brasil sobre o cumprimento das normas sanitárias europeias. Em maio, o país foi retirado da lista de nações autorizadas a exportar carne para a UE sob as regras de controle do uso de antibióticos na pecuária.
“O Brasil é um parceiro importante da UE e estamos trabalhando estreitamente, de maneira construtiva e positiva, com as autoridades brasileiras para assegurar sua conformidade com essas exigências. Uma vez demonstrada essa conformidade, as exportações para a UE poderão ser retomadas”, afirmou uma porta-voz do Executivo europeu à AFP.
A suspensão também afeta ovos e mel. Uma auditoria sobre esses produtos está em andamento e deve ser concluída na sexta-feira, 4. Bruxelas, no entanto, não informou um calendário para a retomada das importações.
Se o resultado for positivo e os países europeus derem sinal verde, as exportações brasileiras de carne de aves para a UE poderão voltar a ser autorizadas nas próximas semanas. Para a carne bovina, o processo pode levar mais tempo.
“Em razão da duração dos ciclos de produção de acordo com as espécies animais envolvidas, a data a partir da qual o Brasil poderá estar em condições de certificar sua conformidade com as exigências da UE varia de acordo com os setores”, explicou a Comissão Europeia.
Em maio, a UE divulgou uma lista de países autorizados a continuar exportando carne para o bloco conforme as normas europeias de controle do uso de antibióticos na pecuária. O Brasil ficou fora da relação, enquanto Argentina, Colômbia e México foram incluídos por atenderem às exigências sanitárias europeias.
As restrições fazem parte da política da UE para controlar o uso de antimicrobianos na pecuária. A legislação do bloco proíbe o uso dessas substâncias para acelerar o crescimento dos animais ou aumentar a produtividade, além de restringir antibióticos considerados essenciais para o tratamento de infecções em humanos.
Segundo a Comissão Europeia, a decisão não está relacionada a problemas sanitários ou à contaminação de produtos, mas à falta de comprovação de que o Brasil se adequou às regras exigidas dentro do prazo estabelecido. O país foi o único exportador retirado da lista por não atender às exigências no período determinado. Outros fornecedores conseguiram manter a autorização após apresentar documentação considerada suficiente pelo bloco.
A UE é um importante parceiro comercial do Brasil. Em 2025, o país exportou US$ 1,8 bilhão em carnes bovina e de aves para os 27 países do bloco. No mesmo ano, o Brasil foi o segundo maior exportador de carne bovina para a UE, com mais de 92 mil toneladas, avaliadas em mais de 713 milhões de euros (R$ 4,29 bilhões).
A decisão acontece após a UE ser criticada pelo setor agrícola e pela França pela assinatura, em janeiro de 2026, de um acordo de livre-comércio com os países do Mercosul: Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.
(Com informações da AFP)