Repórter
Publicado em 11 de março de 2026 às 10h34.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve retomar em 24 de março o julgamento que pode resultar na cassação do mandato do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL).
O processo foi suspenso após pedido de vista do ministro Kassio Nunes Marques, quando já havia dois votos favoráveis à cassação.
O tribunal analisa recursos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral e por uma coligação adversária contra decisão do Tribunal Regional Eleitoral que havia absolvido o governador em ação sobre suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Até o momento, a relatora do caso, Isabel Gallotti, votou pela cassação do mandato e pela declaração de inelegibilidade de Castro. O ministro Antônio Carlos Ferreira acompanhou o entendimento.
Também são réus no processo o ex-vice-governador Thiago Pampolha (MDB) e o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União Brasil).
Caso o tribunal decida pela cassação e Castro ainda esteja no cargo no momento da decisão, a Justiça Eleitoral deverá convocar uma eleição suplementar direta no estado.
Nesse cenário, os eleitores escolheriam um novo governador em votação organizada pelo TSE. O vencedor ficaria no cargo até a posse do eleito nas eleições regulares de outubro.
Se Cláudio Castro renunciar antes da conclusão do julgamento, a escolha do novo governador poderia ocorrer de forma indireta, com votação realizada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).
A situação é considerada possível porque atualmente não há uma linha sucessória eleita no estado. O então vice-governador, Thiago Pampolha, deixou o cargo para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ), enquanto Rodrigo Bacellar está afastado da presidência da assembleia.
Além de Gallotti e Antônio Carlos Ferreira, ainda precisam votar os ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha, Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Cármen Lúcia.
O resultado final do julgamento definirá se o governador permanece no cargo ou se o estado terá uma nova disputa eleitoral.
Outros estados já passaram por eleições suplementares após decisões da Justiça Eleitoral.
No Amazonas, uma nova votação foi realizada em 2017 após a cassação do então governador José Melo e do vice Henrique Oliveira por compra de votos nas eleições de 2014. O pleito foi vencido por Amazonino Mendes, que governou o estado até o fim de 2018.
Situação semelhante ocorreu no Tocantins, em 2018, após a cassação do governador Marcelo Miranda e da vice Cláudia Lelis por abuso de poder econômico. A eleição suplementar foi vencida por Mauro Carlesse.