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TSE julga decisão de Nunes Marques que retirou pesquisa sobre desgaste de Flávio Bolsonaro

Presidente da Corte suspendeu divulgação de levantamento da AtlasIntel após questionamentos sobre possível indução de respostas dos entrevistados

Publicado em 9 de junho de 2026 às 09h03.

O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) julga nesta terça-feira, 9, a decisão do presidente da Corte, Kássio Nunes Marques, que retirou de circulação uma pesquisa da AtlasIntel que apontou desgaste eleitoral do senador Flávio Bolsonaro após a divulgação das cobranças feitas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse.

Interlocutores do TSE ouvidos pelo O Globo avaliam que a atual composição da Corte tende a formar maioria favorável à decisão de Nunes Marques.

Além do presidente do tribunal, integram o colegiado os ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Antônio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva, Floriano de Azevedo Marques e Estela Aranha.

A análise do caso é acompanhada com atenção por partidos e pré-candidatos, que veem o julgamento como um indicativo da postura que o tribunal poderá adotar durante o processo eleitoral de 2026.

Questionário está no centro da controvérsia

Na decisão liminar concedida na segunda-feira, Nunes Marques acolheu argumentos apresentados pelo PL e apontou uma “possível utilização do questionário como mecanismo de indução do entrevistado”.

Entre as reclamações do partido estava a inclusão de um áudio em que Flávio Bolsonaro tratava dos repasses relacionados ao filme do pai. O presidente do TSE destacou que outras 27 pesquisas registradas pela Atlas na Corte não utilizaram recurso semelhante.

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou que a exibição do material ocorreu apenas após a aplicação do questionário principal e que o conteúdo não influenciou as respostas sobre intenção de voto.

Ao analisar o formulário, porém, Nunes Marques avaliou que a sequência de perguntas aparentemente “extrapola a simples aferição neutra da opinião pública” e introduz estímulos capazes de influenciar respostas sobre intenção de voto, rejeição e imagem do pré-candidato.

O desgaste eleitoral de Flávio Bolsonaro após a divulgação do caso Dark Horse também foi identificado por outros levantamentos, incluindo pesquisas realizadas pelos institutos Quaest e Datafolha.

Na decisão, Nunes Marques afirmou que a manutenção da pesquisa em circulação poderia gerar efeitos difíceis de reverter durante o processo eleitoral devido à ampla disseminação dos dados em meios digitais e veículos de comunicação.

Em nota, a AtlasIntel reiterou que “não houve qualquer tipo de indução aos entrevistados” e argumentou que pesquisas posteriores realizadas por outros institutos encontraram padrão semelhante de impacto sobre as intenções de voto do senador.

*Com O Globo

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