Repórter
Publicado em 22 de agosto de 2026 às 11h52.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou neste sábado, 22, que apoiará Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência, mas também pretende atrair parte do eleitorado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“A gente acaba capturando também votos de pessoas que estão pensando na Presidência da República no outro candidato, mas a gente aqui vai estar junto do Flávio”, afirmou Tarcísio durante agenda na zona sul de São Paulo.
A declaração reforça a estratégia do governador de manter apoio ao candidato do PL sem limitar sua atuação ao eleitorado bolsonarista. Tarcísio também tem evitado antecipar uma eventual candidatura à Presidência em 2030.
Segundo relatos de aliados, a campanha de Tarcísio identificou eleitores de Lula que estariam dispostos a votar no governador na disputa pelo governo de São Paulo. O grupo incluiria eleitores que não veem chances de Fernando Haddad (PT) derrotá-lo, mas que também não apoiam Flávio.
O governador tem usado a avaliação de sua gestão como principal argumento para ampliar esse eleitorado. Em vez de assumir protagonismo na campanha presidencial, Tarcísio tem priorizado a divulgação de resultados do governo paulista.
A estratégia ocorre enquanto Tarcísio mantém uma relação de apoio a Flávio, mas sem participar de todas as atividades do candidato. Na quinta-feira, 20, os dois estiveram juntos em uma agenda em São Paulo.
O movimento ocorre em um cenário de vantagem do governador na corrida pela reeleição. Pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira, 21, mostra Tarcísio com 45% das intenções de voto, contra 27% de Haddad.
O levantamento foi realizado entre os dias 18 e 19 de agosto com 1.610 eleitores em 65 municípios paulistas. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Na comparação com julho, Tarcísio oscilou de 46% para 45%, enquanto Haddad passou de 30% para 27%. O governador também aparece à frente no segundo turno, com 54% contra 35% do petista.
Tarcísio também tem procurado se diferenciar de parte da estratégia mais radical do bolsonarismo. Na quinta-feira, 20, durante sabatina promovida por O Globo, Valor Econômico e CBN, afirmou confiar nas urnas eletrônicas e disse que a discussão sobre sua segurança não deveria mais ser prioridade.
Na mesma ocasião, o governador afirmou que considera o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) um instrumento válido, mas defendeu que o debate não seja personalizado.
Ao ser questionado neste sábado sobre a ausência de Lula e Flávio em um debate da TV Band, Tarcísio afirmou que gostaria de ver os dois candidatos no evento e disse que a população precisa conhecer as propostas para o país.
“O cidadão demanda aí saber qual é a direção que a gente vai tomar, qual é o plano para o Brasil”, afirmou.
*Com O Globo