Dark Horse: Tarcísio defende Flávio Bolsonaro e afirma que senador já deu explicações suficientes (Reprodução/X)
Colaboradora
Publicado em 26 de agosto de 2026 às 16h22.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), saiu em defesa do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) nesta quarta-feira, 26, sobre o caso Dark Horse.
Para Tarcísio, o caso que envolve o financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, já está esclarecido.
"Eles já deram explicações, né? Se nenhum fato novo aparecer, acho que está tudo esclarecido", disse.
A fala chamou atenção porque representa uma mudança de posição.
Em maio, o próprio governador havia dito que Flávio "tinha muitas questões a explicar" sobre a relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, apontado como financiador da produção.
Dark Horse é uma cinebiografia sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro, ainda sem previsão de estreia.
O projeto entrou na mira da Justiça depois que mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil mostraram Flávio negociando recursos com Vorcaro para bancar o filme.
Ao ser questionado sobre o tema nesta quarta, Tarcísio evitou cobrar mais explicações do aliado e preferiu direcionar o foco para escândalos que atingem o entorno do presidente Lula (PT).
"Acho que tem muita gente aí que precisa dar esclarecimento. Você vê os escândalos de corrupção que estão assolando o Governo Federal, na antessala do Presidente da República, envolvendo o seu chefe de gabinete, né, o Marcola, envolvendo aí o próprio filho do Presidente. Acho que eles devem dar muita explicação, entendo que as explicações que o Flávio deu foram suficientes e, não aparecendo mais nada novo, é isso", afirmou.
O caso Dark Horse veio à tona em maio de 2026. Na ocasião, o Intercept Brasil publicou uma reportagem com trocas de mensagens entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro anteriores à prisão do banqueiro, em novembro de 2025.
Segundo a reportagem, o valor negociado entre as partes chegou a R$ 134 milhões.
Desse total, ao menos R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados por Vorcaro para custear a produção do filme, que retrata a campanha presidencial de Jair Bolsonaro em 2018.
Em 19 de maio, pressionado pela repercussão, Flávio prometeu publicamente apresentar, em até 30 dias, um relatório detalhado sobre o destino dos recursos. A promessa nunca foi cumprida.
Passados mais de três meses, o discurso do senador mudou.
No dia 20 de agosto, disse à imprensa que considerava o assunto "página virada" e afirmou que a prestação de contas já havia sido feita, sem detalhar valores ou explicar o destino do dinheiro.
Enquanto Flávio tenta encerrar o assunto, o financiamento de Dark Horse segue sob investigação em duas frentes no Supremo Tribunal Federal (STF).
Uma delas, sob relatoria do ministro André Mendonça, apura o repasse de recursos feito por Vorcaro.
A segunda frente é conduzida pelo ministro Flávio Dino, que autorizou a Polícia Federal a acessar o material apreendido pela Polícia Civil de São Paulo na chamada Operação Wi-Fi.
Essa investigação estadual apura se um contrato de R$ 108 milhões, firmado entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB) para o programa WiFi Livre SP, ajudou a bancar o filme.
A empresária Karina Ferreira da Gama, presidente do ICB e sócia da produtora do longa, é um dos principais alvos dessa apuração, que investiga o possível uso de dinheiro público, incluindo recursos de emendas parlamentares, no financiamento da obra.