Senado dos EUA aprova resolução que pede eleição livre no Brasil e repudia golpe

Texto não cita o presidente Jair Bolsonaro, mas enfatiza a recorrência de questionamentos e tentativas de subversão ao sistema eleitoral brasileiro
Urna eletrônica: Senado dos EUA aprova resolução que pede eleição livre no Brasil e repudia golpe (EVARISTO/Getty Images)
Urna eletrônica: Senado dos EUA aprova resolução que pede eleição livre no Brasil e repudia golpe (EVARISTO/Getty Images)
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Estadão ConteúdoPublicado em 29/09/2022 às 07:18.

Às vésperas das eleições brasileiras, o Senado dos Estados Unidos aprovou nesta quarta-feira, 28, por unanimidade uma resolução que defende que o pleito seja conduzido de maneira "livre, justa, crível, transparente e pacífica" no Brasil.

Dentre os pontos chancelados, o Congresso reforça o coro para que os EUA reconheçam imediatamente o resultado das urnas e que reveja a relação com o País diante de qualquer governo que alcance o poder de maneira antidemocrática, incluindo um golpe militar.

O documento expressa a postura e uma recomendação do Senado à Casa Branca e, embora não tenha força de lei, é mais um movimento no sentido de alertar os EUA quanto aos riscos à democracia no Brasil. Como pano de fundo, ataques constantes ao sistema eleitoral brasileiro, principalmente, por parte do presidente Jair Bolsonaro, que alega fraudes eleitorais, nunca comprovadas.

O que diz o texto?

Apresentada no início do mês no Senado e em um movimento similar na Câmara dos EUA, a resolução foi liderada pelos senadores Bernie Sanders e Tim Kaine, que é presidente do Subcomitê de Relações Exteriores do Congresso para o Hemisfério Ocidental. Nenhum senador se opôs ao texto, incluindo os republicanos.

O texto aprovado hoje pelo Senado dos EUA não cita o presidente Jair Bolsonaro, mas enfatiza a recorrência de questionamentos e tentativas de subversão ao sistema eleitoral brasileiro. Menciona ainda esforços para incitar a violência política, encorajando as Forças Armadas a intervir no pleito, cujo primeiro turno acontece neste domingo, dia 02.

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"Com esta votação, o Senado enviou uma mensagem poderosa de que estamos comprometidos em abraçar o povo do Brasil em apoio à democracia de seu País e continuamos confiantes de que as instituições eleitorais do Brasil garantirão uma votação livre, justa e transparente", disse Kaine, em nota à imprensa.

Já o senador Bernie classificou como "inaceitável" os EUA reconhecerem um governo que chegue ao poder de forma não democrática e afirmou que, caso isso acontecesse, enviaria uma "mensagem horrível" ao mundo. "É importante que o povo brasileiro saiba que estamos do lado deles, do lado da democracia. Com a aprovação desta resolução, estamos enviando essa mensagem", reforçou o senador.

Antigamente

Na última vez em que o Brasil enfrentou um caos político semelhante ao visto agora, em 1964, os Estados Unidos, sob a liderança de Lyndon Johnson, reconheceram imediatamente a gestão dos militares, que derrubaram um governo eleito de forma democrática.

Questionada ontem, dia 27, se os EUA reconhecerão o resultado das eleições no Brasil de forma imediata, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, não quis se comprometer antes do pleito, mas condenou atos de violência e reafirmou a confiança no sistema eleitoral brasileiro, como o governo norte-americano já havia sinalizado anteriormente.

"Nós temos de confiar na fortaleza das instituições democráticas brasileiras... Continuaremos a monitorar de perto as eleições com plena expectativa de que as eleições sejam conduzidas de forma livre, justa, transparente e confiável", disse, a jornalistas, em Washington.

Na semana passada, o novo porta-voz do Departamento de Estado dos EUA para países de língua portuguesa, Christopher Johnson, enfatizou ao Broadcast Político a importância de reconhecer a vontade do povo, mas também não quis se antecipar ao resultado das urnas.

"É importante reconhecer a vontade do povo. Então, não posso falar antes de esses resultados chegarem. Mas vamos estar atentos aos resultados mesmo", disse o diplomata, em entrevista, durante a 77ª Assembleia-Geral das Nações Unidas (AGNU).

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