O senador Flávio Bolsonaro e o presidente Donald Trump, em imagem divulgada pela campanha de Flávio (Divulgação)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 28 de maio de 2026 às 06h00.
A foto do senador Flávio Bolsonaro com o presidente americano Donald Trump na Casa Branca pode ajudar a reduzir o efeito político da crise ligada ao Banco Master, segundo Brian Winter, vice-presidente do Conselho das Américas, um grupo que reúne multinacionais com atuação na América Latina.
Editor-chefe da revista Americas Quarterly e com vivência na América Latina, incluindo Brasil, Argentina e México, Winter avalia que, sem novas revelações, o caso tende a perder força na opinião pública.
“Vivemos numa época em que os escândalos não têm a importância e o efeito prolongado que tiveram no passado”, afirmou o pesquisador à EXAME.
Para ele, a visita de Flávio à Casa Branca ajuda a “sepultar” o impacto das revelações sobre sua relação com Daniel Vorcaro. "A visita do senador à Casa Branca ajuda a sepultar o efeito das revelações do Banco Master", afirma.
O senador do PL-RJ, pré-candidato à Presidência, enfrenta pressão após mensagens e um áudio revelarem a sua proximidade com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os R$ 61 milhões destinados pelo banqueiro à produção do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
As últimas cinco pesquisas divulgadas na semana passada mostram o presidente Lula ampliando a vantagem sobre Flávio em cenários de primeiro e segundo turno. Em algumas simulações, a vantagem chegou a nove pontos percentuais.
Após o primeiro baque da campanha, Flávio articulou com o seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL), e aliados do bolsonarismo dentro do governo Trump o encontro para criar um novo fato na pré-campanha e virar a página do áudio com Vorcaro.
Na avaliação de Winter, além da visita, o principal fator a favor de Flávio é o tempo, uma vez que ainda há quatro meses até a eleição e a campanha ainda não começou. “Se não houver novas revelações, acho mais provável que as pesquisas voltem para seu padrão anterior, refletindo a polarização do país”, disse o especialista.
Durante a visita, Flávio afirmou que pediu a Trump que os EUA declarassem o PCC e CV como entidades terroristas.
O senador disse que, em resposta, Trump disse que iria analisar a questão. Os EUA estão adotando medidas mais duras contra o tráfico de drogas na América Latina e prenderam o presidente Nicolás Maduro, em janeiro, sob a acusação de que ele estaria envolvido com o crime organizado.
O senador afirmou ainda que Trump perguntou sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Para ele, escândalos recentes nos Estados Unidos e em outros países da América Latina mostram que o impacto político costuma se diluir com o passar das semanas.
A leitura é que, em ambientes muito polarizados, denúncias tendem a mobilizar sobretudo eleitores já alinhados contra o alvo da crise.
"O efeito de escândalos recentes nos Estados Unidos e em outras partes da América Latina é diluído ao longo do tempo", afirmou.