Salles fez bom trabalho e deixa um legado, diz ministra da Agricultura

Em entrevista à CNN Brasil, a ministra afirmou que Salles, que pediu demissão na véspera, cumpriu seu trabalho em uma pasta "muito difícil", acrescentando ainda que a agricultura não pode ser vista como vilã do meio ambiente.
 (Ueslei Marcelino/Reuters)
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Da redação, com agências

Publicado em 24/06/2021 às 09:23.

Última atualização em 24/06/2021 às 09:54.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta quinta-feira que o agora ex-titular do Meio Ambiente Ricardo Salles deixa um legado após um "bom trabalho" de dois anos e seis meses no governo do presidente Jair Bolsonaro.

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Em entrevista à CNN Brasil, a ministra afirmou que Salles, que pediu demissão na véspera, cumpriu seu trabalho em uma pasta "muito difícil", acrescentando ainda que a agricultura não pode ser vista como vilã do meio ambiente.

No início do mês, Salles foi alvo de buscas na Operação Akuanduba, deflagrada em maio, que apura supostos crimes de corrupção, advocacia administrativa, prevaricação e facilitação de contrabando na exportação de madeira do país. O ministro teve os sigilos bancário e fiscal quebrados. À época, antes mesmo que as operações fossem deflagradas, Salles conversou com exclusividade com EXAME na sede do Ibama, em São Paulo.

A ministra do STF Cármen Lúcia autorizou neste mês a abertura de um inquérito para apurar se Salles atrapalhou as investigações da Operação Handroanthus, sobre esquema de desmatamento ilegal na Amazônia. O pedido foi feito pela Procuradoria-Geral da República (PGR), com base em denúncia do ex-superintendente da Polícia Federal do Amazonas, Alexandre Saraiva. Salles nega irregularidades.

Com a saída de Salles do Ministério, entrará o atual secretário da Amazônia e Serviços Ambientais da pasta, Joaquim Álvaro Pereira Leite. 

Sobre a política ambiental, Tereza Cristina defendeu a existência de um diálogo transversal entre meio ambiente e agricultura, ressaltando que o Brasil possui leis consolidadas no setor, como o Código Florestal.

"Eu não vejo nenhum prejuízo dessa conversa transversal para o desenvolvimento", disse a ministra, que acrescentou também não enxergar uma permissividade excessiva com o agronegócio no país.

Tereza Cristina voltou a afirmar que o Brasil possui uma imagem ruim no exterior em termos ambientais, porque muitos querem "vilanizar" a agricultura. Para ela, é importante que sejam mostrados pontos positivos do segmento no país.

"A gente tem que mostrar com dados concretos o que temos de bom no Brasil, e nós temos muita coisa boa no Brasil. Temos mazelas a corrigir? Temos, todo mundo tem... Isso vem sendo feito", disse a ministra.

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