Ricardo Barros volta a negar envolvimento em negociação pela Covaxin

Após bate-boca, sessão foi suspensa pela segunda vez; senadores discutem se encerram o depoimento
 (Pedro França/Agência Senado)
(Pedro França/Agência Senado)
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Alessandra Azevedo, de Brasília

Publicado em 12/08/2021 às 13:38.

Última atualização em 12/08/2021 às 13:43.

Em depoimento à CPI da Covid, nesta quinta-feira, 12, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo Bolsonaro na Câmara, voltou a negar envolvimento nas negociações pela vacina indiana Covaxin. O parlamentar entrou na mira do colegiado em 25 de junho, quando foi citado no depoimento do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF).

À CPI, Miranda disse que avisou o presidente Jair Bolsonaro sobre pressões atípicas sofridas pelo irmão, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, pela importação da Covaxin. Segundo o deputado do DEM, quando soube do caso, “o presidente entendeu a gravidade” e afirmou que “isso é coisa” de Barros.

Em sessão conturbada, marcada por bate-bocas, o líder do governo insistiu que as acusações foram "um mal-entendido" e disse que os convocados pela CPI negaram ter ligação com ele. "Espero que esse mal-entendido de que eu teria participado desta intermediação da Covaxin fique esclarecido de uma vez por todas", afirmou.

"O presidente nunca afirmou e não tinha como desmentir o que não afirmou, que eu estava envolvido no caso Covaxin. Todas as falas do Luis Miranda são nesse sentido", disse Barros. Ele negou ter conversado com o presidente sobre o assunto. Bolsonaro nunca desmentiu Miranda nem saiu em defesa do líder do governo na Câmara.

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Barros também disse que não tem nenhuma relação pessoal com o empresário Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, empresa que que representa no Brasil a Bharat Biotech, fornecedora da Covaxin. "O recebi no gabinete como ministro, com a nossa equipe de compras", contou.

"Está registrado que a última vez que nos encontramos foi quando eu era ministro. Nunca tratei de Covaxin, em nenhum momento tratei de qualquer assunto relativo à venda da Covaxin", disse Barros. "Vocês vão receber aqui o senhor Maximiano e ele vai explicar que não falou comigo sobre Covaxin em nenhum dia e em nenhum momento", reforçou.

Discussões

A sessão foi suspensa duas vezes após discussões entre Barros e os senadores. Em uma das ocasiões, o deputado afirmou que a CPI estaria afastando fornecedores de vacinas do país. "O mundo inteiro quer comprar vacina, e espero que essa CPI traga bons resultados ao Brasil. Porque o negativo já produziu muito: afastou empresas interessadas em vender vacina ao Brasil", disse.

Os senadores reagiram à fala, e o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD-AM), resolveu suspender a sessão pela segunda vez. "Afastamos as vacinas que vocês do governo queriam tirar proveito. Reunião está suspensa e vamos avaliar o convite do deputado", disse Aziz.

A primeira suspensão da reunião aconteceu após Barros dizer que Bolsonaro não o apontou como envolvido nas negociações. O deputado mostrou um vídeo em que Luis Miranda diz que a reação do presidente foi questionar se o deputado estava envolvido, não afirmar que havia envolvimento.

“Ele deu entrevista, foi à Polícia Federal, e em todas as falas ele diz que o presidente perguntou se o Ricardo Barros estava envolvido na Covaxin, nunca afirmou”, disse Barros. Aziz pediu respeito à CPI e lembrou que, no depoimento de Miranda, ele fala que Barros foi citado. "Não criamos versão, são fatos. O deputado Luis Miranda disse claramente que a pessoa que se referia era vossa excelência", disse.