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Regina Duarte deixa a Secretaria de Cultura e assumirá Cinemateca

Após apenas três meses no cargo, marcados por uma série de controvérsias, atriz anunciou que vai assumir a Cinemateca, em São Paulo

Bolsonaro e Regina Duarte: ambos publicaram um vídeo juntos no Twitter para anunciar sua saída (Marcos Corrêa/PR/Flickr)

Bolsonaro e Regina Duarte: ambos publicaram um vídeo juntos no Twitter para anunciar sua saída (Marcos Corrêa/PR/Flickr)

CC

Clara Cerioni

Publicado em 20 de maio de 2020 às 10h13.

Última atualização em 20 de maio de 2020 às 11h40.

A atriz Regina Duarte anunciou nesta quarta-feira, 20, que vai deixar a Secretaria de Cultura do governo de Jair Bolsonaro, que assumiu em março deste ano. O nome de quem vai substituí-la ainda não foi divulgado.

Em vídeo publicado no Twitter do presidente, Regina afirmou que foi convidada para assumir a Cinemateca, em São Paulo, cuja missão é preservar e divulgar a história do audiovisual do país.

O órgão também é parte da Secretaria da Cultura, vinculada ao Ministério do Turismo, o que significa que Regina passará a estar subordinada ao seu eventual substituto.

"É um museu de toda filmografia brasileira, ficar ali, secretariando o governo dentro da Cinemateca. Tem maior presente do que isso?", disse no vídeo.

"Regina Duarte relatou que sente falta de sua família, mas para que ela possa continuar contribuindo com o governo e a cultura brasileira assumirá, em alguns dias, a Cinemateca em SP. Nos próximos dias, durante a transição, será mostrado o trabalho já realizado nos últimos 60 dias", escreveu Bolsonaro.

A troca acontece após semanas de derrotas e controvérsias no cargo. Desde que assumiu a secretaria, após encerrar um contrato de 50 anos com a TV Globo, a atriz enfrentou resistência de setores do governo e nas redes sociais de grupos identificados com a chamada "ala ideológica" ou olavista.

Nomeações e demissões feitas por Regina Duarte foram revertidas, nas últimas semanas, com a assinatura de outros ministros. Ela também foi criticada pela classe artística por ignorar a morte de figuras importantes da cultura brasileira, e por relativizar as mortes pela ditadura durante uma entrevista.

No vídeo publicado hoje, Regina começa brincando que foi ao Alvorada perguntar ao presidente se ele estava lhe "fritando". "Porque eu tô lendo isso numa imprensa, que eu não acredito mais, mas de qualquer forma queria que ele me dissesse pessoalmente: tá me fritando, presidente?", disse a atriz.

Bolsonaro responde: "Regina, toda semana, tem um ou dois ministros que, segundo a mídia, estão sendo fritados. O objetivo é sempre desestabilizar a gente e tentar jogar o governo no chão. Não vão conseguir. Jamais eu ia fritar você".

Lealdade

Regina Duarte nasceu no dia 5 de fevereiro de 1947. Com 55 anos de carreira, é uma das atrizes mais famosas do país, com dezenas de novelas no currículo.

Os seus papéis mais marcantes foram em folhetins como Selva de Pedra, Irmãos Coragem, Vale Tudo, Roque Santeiro, Rainha da Sucata e Malu Mulher, além da personagem Helena em três obras do autor Manoel Carlos (História de Amor, Por Amor e Páginas da Vida).

Regina demonstrou apoio à Bolsonaro em 2018, durante a corrida eleitoral, quando postou uma foto nas redes sociais com o então presidenciável. Apesar da atriz já ter se colocado no campo da direita desde as manifestações pelo impeachment de Dilma, o apoio chamou a atenção já que a candidatura de Bolsonaro teve pouca adesão da classe artística.

A atriz assumiu a secretaria da Cultura no lugar de Roberto Alvim, diretor de teatro, demitido após usar em vídeo oficial uma paráfrase de um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista entre 1933 e 1945.

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