Mario Frias: ex-galã é alvo de operação da PF que investiga financiamento de filme sobre Bolsonaro (Portal Correio/Reprodução)
Colaboradora
Publicado em 10 de setembro de 2026 às 12h17.
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) foi um dos alvos da Operação Make Up, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 10, pela Polícia Federal (PF). A força-tarefa investiga o repasse de dinheiro público no financiamento do filme ‘Dark Horse’, inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. Frias é roteirista e produtor-executivo do projeto.
A investigação apura supostos desvios de emendas parlamentares que estariam ligados à produtora do longa. Segundo a PF, “as investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados”.
Segundo auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU), que participou da operação, Frias teria indicado R$ 2 milhões em emendas a empresas ligadas a Karina Gama, produtora do filme, como gastos não comprovados.
Mario Luís Frias tem 54 anos, nasceu na cidade do Rio de Janeiro e começou a vida pública como ator de televisão. No final da década de 1990, estrelou ‘Malhação’, da rede Globo, e participou de novelas e produções da emissora como ‘Senhora do Destino’ e ‘O Beijo do Vampiro’.
Nos anos 2000, realizou trabalhos na Record, com ‘Os Mutantes’ e mais tarde com a novela bíblica ‘A Terra Prometida’, e na Band, com ‘Floribella’. Também chegou a apresentar programas de televisão, como ‘O Último Passageiro’, na RedeTV!.
Sua estreia na política aconteceu durante o governo de Jair Bolsonaro, em 2020. Entre junho daquele ano e março de 2022, Mario Frias esteve à frente da Secretaria Especial da Cultura, cargo que, até então, era da atriz Regina Duarte. Em seu primeiro dia de mandato, Bolsonaro extinguiu o Ministério da Cultura, criando, em seu lugar, a secretaria.
Em 2022, Frias foi eleito deputado federal por São Paulo pelo PL, partido do ex-presidente, com 122.564 votos, mandato que assumiu em 2023.
Durante o exercício do cargo político, o ator voltou à produção audiovisual como roteirista e produtor-executivo de ‘Dark Horse’, um longa-metragem inspirado na vida e trajetória política de Bolsonaro, papel interpretado pelo ator estadunidense Jim Caviezel.
Neste ano, Frias é novamente candidato a deputado federal pelo mesmo partido.
Mario Frias voltou aos holofotes quando o financiamento da produção foi questionada em uma reportagem do Intercept Brasil, que expôs uma troca de mensagens entre o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela fraude do Banco Master.
O Intercept também divulgou mensagens e áudios entre Frias e Vorcaro, em que o deputado agradece o empresário pelo apoio ao filme. Segundo investigações da PF, Vorcaro teria repassado cerca de R$ 61 milhões à produção.
A publicação aconteceu depois de uma declaração de Frias que a produção não havia recebido “um único centavo” do banqueiro.
Posteriormente, ele voltou atrás e disse que Vorcaro e o Master não eram investidores diretos do filme, que apenas havia uma relação jurídica com a empresa Entre Investimentos, do empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, o “Mineiro”, delator do caso Master.
Mario Frias também é alvo de outra investigação no STF que apura repasses feitos por Vorcaro e o objetivo desses recursos.