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PT, PV, PCdoB e PSB anunciam apoio à reeleição de Lira para a Presidência da Câmara

Atual presidente da Câmara já tem apoio de mais de 10 legendas para se manter no posto por mais dois anos

 (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

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Alessandra Azevedo

Publicado em 29 de novembro de 2022, 18h01.

Última atualização em 29 de novembro de 2022, 18h21.

Após reunião entre as bancadas, nesta terça-feira, 29, a federação composta por PT, PCdoB e PV e o PSB decidiram oficialmente apoiar a reeleição de Arthur Lira (PP-AL) à Presidência da Câmara em 2023. Os quatro partidos, juntos, terão 94 deputados a partir do ano que vem.

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“Nós aprovamos, então, o apoio à reeleição do presidente Arthur Lira. Se soma conosco também nesse apoio o partido do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin”, anunciou o deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), líder do partido na Câmara, em entrevista coletiva após a reunião.

A decisão, segundo Lopes, foi tomada levando em consideração que Lira tem uma “postura colaborativa para uma pauta de reconstrução do Brasil” e que ele “foi o primeiro a reconhecer a legitimidade das urnas” quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a eleição de Luiz Inácio Lula Da Silva à Presidência da República, em 30 de outubro. “É fundamental essa estabilidade institucional”, afirmou.

O líder do PV na Câmara, Aliel Machado (PR) disse que “não é estranho” o apoio da federação a Lira, embora o atual presidente da Câmara tenha atuado como aliado de Bolsonaro nos últimos anos, inclusive durante a eleição. Aliel reforçou que Lira tem “compromisso com a pauta que venceu a eleição” e “respeito à democracia e às instituições”.

Segundo o deputado Felipe Carreras (PE), que assumirá a liderança do PSB na Câmara em fevereiro, "a mensagem que a gente quer passar é de unidade, de paz, de pacificação política". O apoio a Lira foi decidido em consenso entre os deputados do partido.

Ainda sem nenhum adversário declarado, Lira pretende vencer novamente em primeiro turno — dessa vez, com um número ainda maior de votos. A eleição ocorre em fevereiro de 2023, para um mandato de dois anos. Em 2021, Lira foi eleito em primeiro turno, com 302 votos, após reunir um bloco parlamentar de 11 partidos a favor da candidatura.

Agora, para a reeleição, Lira quer consolidar o apoio de ainda mais partidos, incluindo as duas maiores bancadas da Câmara: o PL, do presidente Jair Bolsonaro, e o PT, do presidente eleito Lula. Isso não significa que os partidos atuarão no mesmo bloco partidário. Os blocos, que servem de base para a divisão de cargos na Câmara, ainda serão definidos.

“Entendemos que é possível construir um bloco de governo que possa dar ao país, ao presidente Lula, uma base sólida”, afirmou o líder do PT na Câmara. O partido deve iniciar ainda nesta terça-feira "um amplo debate" em busca desse bloco. Segundo Lopes, as negociações estão avançadas com 15 legendas -- entre elas, União Brasil, MDB e PSD.

Até agora, o atual presidente da Câmara garantiu o apoio do PP, do União Brasil, do Republicanos, do Podemos, do PSC, do PDT, do Patriota e do PTB, além da federação PT/PV/PCdoB e do PSB. O PL e o PSD já sinalizaram que vão apoiar a reeleição de Lira.

Parlamentares do PL devem discutir o assunto com o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em jantar nesta terça-feira, em Brasília.

Para o PT, o apoio a Lira é importante para garantir a governabilidade de Lula a partir do ano que vem e facilitar a aprovação da PEC da Transição ainda neste ano. A legenda também quer participar de um bloco competitivo para negociar a presidência de comissões importantes, como a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por onde passam os projetos mais importantes.

A disputa pela CCJ, no entanto, não está definida. O PL, que elegeu a maior bancada, com 99 deputados, também tem interesse na presidência do colegiado. Lopes afirmou que, com a consolidação do bloco, a ideia é garantir representatividade para participar, em forma de rodízio, dos principais espaços. "Em especial, aqueles que garantem maior governabilidade, CCJ e Orçamento", citou.