Prefeitura do Rio recua e não tem mais prazo para retomar aulas

Motivo seria a falta de protocolo de segurança para escolas e creches em meio a um aumento do risco de contágio da covid-19 no Rio

Depois de várias medidas que anteciparam prazos no processo de flexibilização das regras de isolamento social no Rio, a prefeitura recuou, com uma medida que atinge a si mesma. Não há mais prazo para a reabertura das 1.542 unidades de ensino da rede municipal, nas quais estudam 641.564 alunos. Pelo planejamento original, turmas do 5º ao 9º ano e 525 creches deveriam retomar suas atividades no próximo dia 6. Mas, em meio a um aumento do risco de contágio da covid-19 na cidade, a expectativa agora é que as aulas, suspensas há quase quatro meses, só voltem, de forma gradual, no fim de agosto ou no início de setembro.

Um dos motivos para o adiamento da volta às aulas é que, apesar de a pandemia ter feito suas primeiras vítimas na cidade em março, ainda não existe um protocolo para as escolas garantirem a segurança de funcionários e estudantes. As normas serão definidas por uma comissão que a secretária municipal de Educação, Talma Suane, deverá formar nos próximos dias. Ela admitiu a ausência dessas regras na última segunda-feira, durante uma audiência pública virtual na Câmara Municipal.

“Não propomos retorno sem preparo. O comitê que constituiremos vai trabalhar em cima de evidências, sem restrição de direitos, com foco na segurança dos alunos, na adequação das estruturas e no plano pedagógico”, disse a secretária na audiência.

Retorno depende da curva de contaminação

O adiamento da retomada das atividades escolares foi confirmado ontem pela Secretaria municipal de Educação (SME), que divulgou uma nota: “Não há uma data para o retorno dos alunos às aulas. Depende da curva de contaminação do novo coronavírus e das orientações sanitárias. Assim que for definido efetivamente o reinício do ano letivo, a SME seguirá as orientações do Conselho Nacional de Educação que trata da reorganização do calendário escolar’’.

Apesar de a SME afirmar que o retorno depende da curvas de contaminação, a secretária municipal de Saúde, Beatriz Busch, disse ontem que, “no momento”, isso não preocupa a prefeitura. Ela deu a declaração em um evento de cessão de equipamentos para o Hospital Mário Kroeff, na Penha. Também presente, o prefeito Marcelo Crivella não comentou um estudo da UFRJ, mostrado pelo GLOBO, que aponta um aumento no índice de contágio este mês. Ele pediu para Beatriz se pronunciar, e ela negou que haja um recrudescimento da Covid-19:

– O aumento de casos é diretamente ligado ao aumento da quantidade de exames positivos. Isso é normal (acontecer). O dado (da UFRJ) não é preciso para o nosso planejamento de retomada de atividades. Levamos em conta a capacidade de leitos, a quantidade de óbitos e a notificação da quantidade de casos gripais nas nossas redes.

Segundo o estudo da UFRJ, depois de iniciadas as medidas de flexibilização no município, houve um aumento da chamada taxa de transmissão – em maio, era de 1,72 (uma pessoa doente podia infectar quase duas); no início deste mês passou para 1,03 e, nas última semana, subiu para 1,39, o que corresspode a um risco considerado alto.

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