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Por que o Bolsa Família turbinado ameaça o teto de gastos

Orçamento do ano que vem pode não comportar novos gastos da ordem de dezenas de bilhões de reais; mercado já reage negativamente

A preocupação é que a conta pode não fechar. Segundo estimativas da equipe econômica, o teto de gastos do ano que vem deve apresentar um espaço para um gasto adicional de 25 a 30 bilhões de reais, em comparação ao orçamento deste ano. O Bolsa Família turbinado, com o valor médio de 300 reais por mês pago aos atuais 17 milhões de beneficiários, caberia apenas raspando nessa matemática. Avaliações preliminares apontam que o aumento do valor do programa social geraria um gasto extra de pelo menos 26 bilhões de reais.

Com isso, as preocupações com o rompimento do teto de gastos ganharam um novo contorno. Nesta sexta, 30, a curva de juros voltou a empinar, indicando uma preocupação latente com o relaxamento da regra fiscal no ano que vem. 'Caso o teto não seja respeitado, deverá haver uma reação muito negativa nos preços de ativos, especialmente no câmbio", diz o economista Sérgio Vale, da MB Associados. "A leitura que será feita é que estão furando o teto por razões populistas, o que seria um fim melancólico pra uma política fiscal que já foi tão mal conduzida".

O governo vem sinalizando que deve concretizar novos programas sociais, como o que prevê a geração de emprego para jovens, chamado de BIP. O ministro Paulo Guedes, da Economia, disse nesta sexta que o benefício será bancado com créditos extraordinários de até 3 bilhões de reais. "É o caso ainda de enfrentamento da pandemia, porque a incidência de desemprego foi muito forte sobre esses jovens", afirmou o ministro.

A ideia de conceder aumento aos servidores públicos também não está descartada. "Acenos a novos gastos que possam agradar a população em um ano eleitoral geram incertezas políticas e econômicas difíceis de calibrar", diz o analista político André Cesar, da Hold Assessoria. "A isso, somam-se dúvidas sobre a aprovação da reforma administrativa e da tributária, uma pauta essencial".

Apenas o aumento do Bolsa Família deverá gerar um impacto extra de 26,2 bilhões de reais, de acordo com cálculos da RPS Capital. Com isso, o orçamento de 2022 mal teria espaço para comportar esse excendente. "Além disso, é preciso lembrar que o orçamento do ano que vem ainda não está claro, já que vai depender da inflação real no final do ano e do impacto nos salários e na previdência", diz Vale.

 

 

 

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