Polícia Civil do Rio desvenda rede de informações do tráfico

A ação que prendeu 8 pessoas visava uma quadrilha envolvida em vendas de drogas e de armas, lavagem de dinheiro e vazamento de informações policiais

A Polícia Civil informou nesta segunda-feira (26) que cumpriu oito dos 11 mandados de prisão expedidos pela Justiça durante a Operação Network, desencadeada por uma força tarefa coordenada pelo Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), com apoio da Corregedoria Interna da Polícia Civil.

A ação visava prender integrantes de uma quadrilha envolvidos em um esquema de venda de drogas e de armas, lavagem de dinheiro e vazamento de informações de operações policiais.

Os policiais civis Carlos Augusto Farnochi Cordeiro e Renato Zille Cardoso faziam parte da quadrilha.

Eles avisavam os traficantes de operações policiais nas comunidades e chegavam a receber do tráfico até R$ 11 mil por semana. Os dois estão foragidos.

A Operação Network é um desdobramento da operação policial ocorrida no dia 26 de maio deste ano, quando foi desarticulada um esquema de lavagem de dinheiro relacionado a facções criminosas que atuam no estado do Rio de Janeiro.

Na ocasião, a Delegacia de Combate às Drogas (DCOD) cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 34 de busca e apreensão, sendo apreendidos veículos de luxo - um Jaguar, avaliado R$ 500 mil, dois Land Rover Evoque, além de outros cinco carros -, joias, vultosa quantia em dinheiro, celulares, computadores e documentos.

A Justiça também determinou o sequestro de dois imóveis e o bloqueio de contas bancárias. Os valores arrecadados com as apreensões são de cerca de R$ 5 milhões.

O delegado assistente da Delegacia de Combate às Drogas Vinícius Domingos informou que as investigações começaram em janeiro deste ano e, inicialmente, tiveram o objetivo de atingir o núcleo financeiro de um ramo de uma das facções criminosas envolvidas no esquema criminoso.

"Quando estávamos preparando para finalizar essa primeira operação, o nosso setor de busca eletrônica detectou uma ramificação de venda de drogas, armas e de informações de operações policiais. Após tomar conhecimento dessa informação, passamos esse desdobramento das investigações ao departamento, que identificou os policiais civis e militares que integravam a quadrilha. Essa informação foi depois encaminhada para as respectivas corregedorias", disse.

Após a análise do material recolhida nas investigações, o delegado disse que foi possível descobrir que Fábio Fernandes Villa Real, conhecido como Parrudo, e Tiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias - conhecido por fazer joias para jogadores de futebol, celebridades e vários chefes do tráfico de drogas -, além de lavarem o dinheiro do tráfico de drogas são, também, os maiores articuladores do tráfico de drogas e de armas do estado nos principais complexos de favelas, com atuação em três facções criminosas do Rio de Janeiro.

Segundo o delegado Leonardo Borges, da Corregedoria Interna da Polícia Civil, Carlos e Renato recebiam o dinheiro de diferentes facções.

A dupla se passava por policiais da DCOD e "de algumas facções criminosas recebiam R$ 1,5 mil e de outras até R$ 11 mil por semana", disse.

O diretor geral de Polícia Especializada, Marcelo Martins, informou que os dois policiais já trabalharam no departamento e que, atualmente, Carlos estava lotado na Delegacia de Atendimento ao Idoso e Terceira Idade, enquanto Renato trabalhava na 16ª DP (Barra da Tijuca).

Marcelo Martins disse que as operações que eram reveladas a criminosos pelos agentes eram planejadas para algumas das maiores e mais violentas favelas da cidade, como a Cidade Alta, em Cordovil, e o Complexo da Maré, ambas na zona norte, e a Vila Aliança e a Cidade de Deus, as duas na zona oeste.

Uma complexa rede de informações, chefiada por Parrudo e TH Joias, foi montada com o objetivo de traficar armas e drogas e de obter informações privilegiadas de operações das forças de segurança.

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