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PIB do 2º tri deve mostrar desaceleração da atividade econômica, apontam projeções

Mercado projeta crescimento entre 0,3% e 0,5%, com serviços perdendo força e agro sustentando a atividade

Projeções de BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), Daycoval e XP apontam para uma desaceleração da atividade, puxada principalmente pela perda de força dos serviços e pela fraqueza de alguns segmentos da indústria. (Divulgação/Getty Images)

Projeções de BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), Daycoval e XP apontam para uma desaceleração da atividade, puxada principalmente pela perda de força dos serviços e pela fraqueza de alguns segmentos da indústria. (Divulgação/Getty Images)

César H. S. Rezende
César H. S. Rezende

Repórter de agro e macroeconomia

Publicado em 31 de agosto de 2026 às 18h34.

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A economia brasileira deve perder ritmo no segundo trimestre de 2026 após uma forte arrancada no início do ano. Os dados oficiais do Produto Interno Bruto (PIB) serão divulgados nesta terça-feira, 1º, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mas as projeções de BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), Daycoval e XP apontam para uma desaceleração da atividade, puxada principalmente pela perda de força dos serviços e pela fraqueza de alguns segmentos da indústria.

O BTG estima que o PIB tenha crescido 0,5% no segundo trimestre de 2026 na comparação com os três meses anteriores, após uma expansão de 1,1% no primeiro trimestre. A instituição mantém a projeção de crescimento de 2% para o PIB de 2026.

A XP tem uma visão próxima e projeta alta de 0,4% na margem no segundo trimestre, com crescimento de 1,9% na comparação anual. Segundo a casa, a estimativa ficou ligeiramente abaixo da previsão feita três meses antes, quando o XP Tracker indicava avanço de 0,5%.

Já o Daycoval espera uma desaceleração um pouco mais intensa, com avanço de 0,3% na comparação trimestral e crescimento anual de 1,7%. Para o banco, a perda de ritmo deve ser disseminada entre os setores, com destaque para a desaceleração dos serviços, que têm o maior peso na economia.

O principal ponto em comum entre as análises é a perda de dinamismo do setor de serviços, que foi um dos principais motores da economia brasileira nos últimos anos.

A XP projeta alta de 0,4% para o setor no 2º tri, mantendo uma trajetória de expansão, mas em ritmo mais moderado. Serviços de informação e comunicação, comércio e intermediação financeira aparecem entre os destaques positivos, enquanto transporte e armazenagem continuam pressionados.

O BTG também avalia que os serviços seguem em desaceleração. Segundo o banco, os serviços prestados às empresas perderam força neste ano, após terem sido o segmento mais resiliente em 2025, enquanto os serviços voltados às famílias continuam apresentando crescimento mais robusto.

Agro e indústria

Apesar do cenário de desaceleração, a indústria deve apresentar um desempenho relativamente melhor no trimestre. O BTG considera que o setor foi o mais resiliente no período, com recuperação após a fraqueza observada ao longo de 2025.

A XP projeta crescimento de 0,5% para a indústria no segundo trimestre, puxado principalmente pela indústria extrativa, com avanço da produção de petróleo. A indústria de transformação também deve registrar crescimento, ainda que moderado.

O Daycoval, porém, mantém uma visão mais cautelosa para o setor. Para a produção industrial de julho, o banco espera avanço mensal de 0,2%, acompanhado de queda de 0,6% na comparação anual.

A agropecuária deve contribuir positivamente para o PIB do trimestre. Segundo a XP, o setor deve crescer 0,6% na comparação trimestral, impulsionado principalmente pela maior produção de grãos, especialmente soja.

Apesar do desempenho positivo, a XP avalia que o cenário para o setor deve ficar menos favorável nos próximos períodos, diante dos riscos climáticos associados ao fenômeno El Niño.

Consumo no PIB

Pelo lado da demanda, o consumo das famílias deve continuar sendo um dos pilares da atividade. A XP estima crescimento de 0,6% no consumo das famílias no segundo trimestre, apoiado por um mercado de trabalho resiliente e medidas de estímulo de curto prazo.

O BTG também acredita que o mercado de trabalho seguirá apertado, mas com sinais de acomodação. A geração de empregos perdeu força no segundo trimestre, enquanto os rendimentos começaram a desacelerar.

O principal risco para os próximos períodos está no crédito. O BTG avalia que o elevado endividamento das famílias e o comprometimento da renda em um ambiente de juros altos podem limitar o consumo, principalmente em 2027.

Apesar da expansão esperada no segundo trimestre, os bancos avaliam que a economia brasileira entra em uma fase de crescimento mais moderado.

A XP projeta avanço de 2% do PIB em 2026 e 1% em 2027, com viés de baixa. A instituição avalia que a retirada dos estímulos fiscais e parafiscais, somada aos juros elevados e ao endividamento das famílias e empresas, deve pesar sobre a atividade.

O BTG mantém projeção de 2% para 2026 e 1,1% para 2027, destacando que o cenário do próximo ano é mais adverso em razão do menor impulso fiscal, do ambiente de crédito mais restritivo e dos riscos para a produção agrícola.

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