Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo era acusado de quebra de decoro parlamentar (Agência Câmara/Agência Câmara)
Repórter especial em Brasília
Publicado em 21 de julho de 2026 às 13h41.
Última atualização em 21 de julho de 2026 às 13h48.
A Polícia Federal (PF) recomendou ao Ministério da Justiça e Segurança Pública a demissão do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) da corporação por abandono de função.
Autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro de 2025, o irmão do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) é escrivão da PF, mas não se apresentou para reocupar o cargo após ter perdido o mandato de deputado, em dezembro do ano passado.
A PF concluiu o Processo Administrativo Disciplinar (PAD) instaurado para apurar a situação e encaminhou ao Ministério da Justiça o pedido de demissão. A informação foi dada pelo G1 e confirmada pela EXAME com pessoas familiarizadas com o caso.
A tendência no Ministério da Justiça é de que a demissão de Eduardo saia nos próximos dias. Em fevereiro, Eduardo foi afastado preventivamente pela Corregedoria Regional da PF.
Nesta segunda-feira, 21, o governo americano concedeu o Green Card a Eduardo, quase uma semana após o novo tarifaço anunciado pelo governo Trump a produtos brasileiros.
Com o documento, Eduardo passa a ter o status de residente permanente nos Estados Unidos, podendo exercer qualquer atividade profissional legal, utilizar serviços públicos e permanecer no país sem prazo determinado. Ele havia deixado o Brasil em fevereiro do ano passado com visto de turista.
O ex-deputado foi condenado em junho pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) a 4 anos e 2 meses de prisão por coação, sob a acusação de tentar influenciar o julgamento que envolve seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), no processo relacionado à tentativa de golpe de Estado.
Segundo a acusação, ele teria buscado criar um ambiente de instabilidade e temor por meio da projeção de possíveis retaliações estrangeiras contra ministros do STF e contra o Brasil.