Publicado em 10 de setembro de 2026 às 07h28.
Última atualização em 10 de setembro de 2026 às 09h29.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, na manhã desta quinta-feira, 10, a Operação Make Up, que investiga repasses públicos para financiamento do filme "Dark Horse", inspirado na vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo apurado pela EXAME, são cumpridos 49 mandados de busca e apreensão contra pessoas envolvidas na produção.
O deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora do longa, Karina Gama, são alvos da operação.
Duas entidades de propriedade de Karina também têm buscas de agentes da PF: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC).
A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino. Segundo a PF, a investigação apura supostos desvios de emendas parlamentares que estariam ligados à produtora do filme.
"As investigações apontam a existência de uma organização criminosa, formada por agentes públicos e privados, suspeita de direcionar os valores recebidos para empresas subcontratadas de forma irregular, sem comprovação da efetiva prestação dos serviços contratados", disse a corporação.
Além das emendas parlamentares, a Polícia Federal investiga a movimentação de "centenas de milhões" entre os investigados e outras empresas envolvidas.
Segundo a PF, são investigados os crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.
A operação foi deflagrada em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU). Segundo auditoria da CGU, Frias teria indicado R$ 2 milhões em emendas a produtoras ligadas a Karina Gama, como gastos não comprovados.
O Dark Horse já era alvo de outra frente de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) antes da Operação Make Up. A apuração, sob relatoria do ministro André Mendonça, começou após questionamentos sobre os recursos privados destinados à produção do filme inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O caso ganhou repercussão após a divulgação de conversas envolvendo o senador e candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL) e o empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, em uma negociação para financiar o longa.
Segundo reportagens do portal The Intercepth, as tratativas envolveriam valores de até US$ 24 milhões, cerca de R$ 134 milhões na cotação da época, com uma parcela destinada à produção cinematográfica.
Flávio afirmou que buscou investidores para o projeto e negou que tenha recebido recursos para uso pessoal. A investigação no STF passou a analisar a origem dos valores, a estrutura dos aportes e a eventual relação entre os envolvidos.
Na quarta-feira, 9, Mendonça homologou a delação premiada firmada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) com Antonio Carlos Freixo Jr., o Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações.
No acordo, Freixo detalha pagamentos ao fundo Havengate nos Estados Unidos, usado para financiar o filme "Dark Horse".
Agora, a Operação Make Up amplia o escopo das apurações ao incluir suspeitas sobre o uso de emendas parlamentares, recursos públicos indicados por deputados e senadores, e possíveis irregularidades em contratos ligados à produção.