Andrei Rodrigues: diretor-geral da PF informou que a corporação abriu uma investigação preliminar sobre o suposto financiamento do governo de Donald Trump para interferir nas eleições brasileiras (José Cruz/Agência Brasil)
Repórter
Publicado em 4 de outubro de 2026 às 15h22.
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou neste domingo, 4, que a corporação abriu uma investigação preliminar sobre um suposto financiamento do governo de Donald Trump para interferir nas eleições brasileiras. A apuração atende a um pedido da Advocacia-Geral da União (AGU).
Durante visita ao Centro Integrado de Comando e Controle Nacional (CICC), em Brasília, Rodrigues informou que o caso será conduzido pela Diretoria de Inteligência da PF. A área técnica da corporação analisou a representação no sábado, 3.
“Já é uma investigação em andamento, um procedimento prévio, mas ainda não foi publicada a portaria do inquérito policial”, afirmou, segundo a Reuters.
Rodrigues explicou que é comum abrir uma investigação preliminar antes da instauração do inquérito. Segundo ele, a representação da AGU solicita a apuração de uma possível interferência externa nas eleições, conduta que classificou como crime previsto na legislação eleitoral.
Depois da declaração de Rodrigues, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kássio Nunes Marques, afirmou que a Justiça Eleitoral não detectou "nenhum indicativo concreto" de interferência internacional ou de facções criminosas na votação de primeiro turno, iniciada às 08h. Ele também disse que é possível candidatos questionarem os resultados da votação e buscarem a judicialização, mas que "tudo tem funcionado na maior normalidade e com a maior segurança possível".
"Nos nossos relatórios não apontam nenhum tipo de risco internacional ou do crime organizado. Não recebemos nenhum indicativo concreto disso até o momento", afirmou em coletiva de imprensa.
A AGU acionou a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) na quinta-feira, 1º, após uma reportagem do jornal britânico The Guardian sobre recursos do governo americano destinados a um programa chamado “Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil”.
Segundo o jornal, o Departamento de Estado dos Estados Unidos teria destinado US$ 1 milhão de um fundo ligado aos direitos humanos e à democracia para financiar grupos da sociedade civil contrários ao que o projeto descreve como excesso de atuação judicial e censura por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
Não há informação sobre se os recursos foram transferidos ou apenas empenhados para os projetos definidos pelo governo americano.
Ao solicitar a investigação, a AGU afirmou que o eventual recebimento de capital estrangeiro para promover ataques sistemáticos à soberania nacional e ao funcionamento das instituições brasileiras poderia revelar uma estrutura de ingerência externa.
O órgão ressaltou que a legislação brasileira protege a liberdade de expressão e o direito à crítica, mas também estabelece os princípios da soberania, da independência e da não intervenção.
Na mesma visita, Rodrigues afirmou que as investigações da PF não identificaram elementos concretos de risco para embaixadas dos Estados Unidos ou de outros países.
A corporação recebeu uma comunicação da representação americana e cumpriu medidas judiciais em um processo sigiloso.
Na sexta-feira, 2, a PF informou ter executado dois mandados de busca e apreensão em São Paulo e no entorno do Distrito Federal para apurar um suposto planejamento de atos contra instalações diplomáticas dos EUA.
“Cumprimos as medidas judiciais, há um processo sigiloso e, de fato, não comprovamos nenhum elemento concreto que nos apontasse um risco efetivo para essa embaixada ou para qualquer outra embaixada”, disse Rodrigues.