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Pesquisa para presidente: apesar de auxílio maior, voto dos mais pobres em Bolsonaro fica estável

A chamada PEC dos Benefícios, promulgada em julho pelo Congresso Nacional, aumentou o Auxílio Brasil, e criou ajudas a caminhoneiros e taxistas

Jair Bolsonaro: presidente estável nas classes D e E. (EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

Jair Bolsonaro: presidente estável nas classes D e E. (EVARISTO SA/AFP/Getty Images)

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Gilson Garrett Jr

29 de agosto de 2022, 16h44

Os números da pesquisa eleitoral EXAME/IDEIA, divulgada do dia 25 de agosto, mostram que os auxílios da chamada PEC dos Benefícios, promulgada no meio de julho pelo Congresso Nacional, ainda não surtiram efeito nos números de intenção de voto dos mais pobres no presidente Jair Bolsonaro (PL). Essa é a primeira sondagem após os pagamentos começarem.

Em uma simulação estimulada de primeiro turno, com os nomes apresentados aos entrevistados, o presidente Jair Bolsonaro tem 28% das intenções de voto das classes D e E. O número é o mesmo que o registrado há um mês. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em primeiro neste grupo, com 54% das intenções de voto, ante 56% registrado em julho. A mudança do petista é dentro da margem de erro da pesquisa, que é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Ciro Gomes (PDT) subiu um ponto percentual na preferência dos eleitores mais pobres em relação à pesquisa do mês passado, e agora tem 5%. Simone Tebet (MDB) manteve os 2% nas duas últimas pesquisas. Os outros candidatos somaram 3% em julho, se repetiram agora. A parcela de brancos e nulos é de 3%.

Para a pesquisa, foram ouvidas 1.500 pessoas entre os dias 19 e 24 de agosto. As entrevistas foram feitas por telefone, com ligações tanto para fixos residenciais quanto para celulares. A sondagem foi registrada no TSE com o número BR-02405/2022. A EXAME/IDEIA é um projeto que une EXAME e o IDEIA, instituto de pesquisa especializado em opinião pública. Veja o relatório completo.

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Maurício Moura, fundador do IDEIA, explica que a pauta econômica ainda é muito sensível à candidatura do presidente Jair Bolsonaro. Mesmo que o Auxílio Brasil tenha passado de 400 para 600 reais, a inflação, acumulada em 9,6% nos últimos 12 meses, diminuiu o poder de compra da população, em especial os mais pobres.

“Além das classes D e E, a classe C, de pessoas que ganham entre três a seis salários mínimos, também é muito importante para que o presidente Bolsonaro possa crescer nas pesquisas de intenções de voto. Essa parcela da população votou majoritariamente nele em 2018, mas atualmente não vota mais no mesmo grau de intensidade”, afirma.

Também havia uma esperança de que a queda dos combustíveis também fosse revertida em intenções de voto. A gasolina caiu 17% em julho, após o Congresso aprovar um teto de 17% para a cobrança sobre o ICMS, imposto de responsabilidade dos estados. Na avaliação de Maurício Moura, essa queda surtiu mais efeito entre os eleitores que já declaravam votos a Bolsonaro.

“O auxílio, principalmente na classe C do Sudeste, onde Bolsonaro precisa recuperar votos que perdeu, não surtiu efeito. A questão da queda do valor dos combustíveis foi muito mais para o grupo onde o presidente já tinha boa avaliação e, portanto, boa intenção de voto. Então foi algo meio endógeno”, diz Moura.

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Intenção de voto geral: distância entre Lula e Bolsonaro cai

Nos números gerais, a distância entre Lula e Bolsonaro caiu de 11 para 8 pontos percentuais no primeiro turno. Em uma pergunta estimulada, Lula tem 44% das intenções de voto, mesmo número registrado na pesquisa feita há um mês. Já Bolsonaro saiu de 33% para 36%. O aumento está no limite da margem de erro da pesquisa.

Ciro Gomes aparece com 9%, e Simone Tebet, 4%. Os demais candidatos fizeram 1% ou não pontuam. Brancos e Nulos somam 2%, e aqueles eleitores que dizem que não sabem são 3%.

(Arte/Exame)

Maurício Moura, explica que a redução consistente da distância entre Lula e Bolsonaro ocorreu muito por conta de uma maior definição dos candidatos. Com isso, houve uma acomodação dos eleitores que diziam não saber em quem votar - eles somavam 12% no fim do ano passado.

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Uma terceira questão foi a desistência de outros nomes mais bem posicionados, como o ex-juiz Sergio Moro (União Brasil), e do ex-governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

“Isso reflete o grau de consolidação de voto e uma grande definição neste momento da eleição. O Bolsonaro tem duas frentes de potencial crescimento: o primeiro é consolidar e acomodar o sentimento antipetista, o segundo é que ele precisa convencer eleitores que votaram nele em 2018. Esses eleitores estão espalhados entre indecisos, Ciro Gomes e também entre os eleitores do Lula”, diz.

Veja como foram as últimas pesquisas eleitorais de 2022: