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Pesquisa eleitoral: Tebet cresce 2 pontos e prejudica Lula no 1º turno, diz BTG/FSB

Lula tem 42% das intenções de voto e Bolsonaro, 34%. Simone Tebet cresce dois pontos e vai a 6%

Lula e Bolsonaro: líderes nas pesquisas estagnaram em intenção de voto, apesar do início do horário eleitoral (SOPA Images/Andressa Anholete/Getty Images)

Lula e Bolsonaro: líderes nas pesquisas estagnaram em intenção de voto, apesar do início do horário eleitoral (SOPA Images/Andressa Anholete/Getty Images)

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Carolina Riveira

Publicado em 5 de setembro de 2022, 10h08.

Última atualização em 5 de setembro de 2022, 14h58.

A estagnação do crescimento das intenções de voto dos presidenciáveis líderes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL), torna mais remota a possibilidade de definição da eleição em primeiro turno, segundo nova rodada da pesquisa eleitoral BTG/FSB, divulgada nesta segunda-feira, 5.

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Lula e Bolsonaro oscilaram -1 ponto percentual e -2 pontos, respectivamente, em relação à pesquisa anterior, divulgada há uma semana. As variações ocorreram dentro da margem de erro.
  • Lula teve 42% dos votos (contra 43% na última pesquisa);
  • Bolsonaro teve 34% (antes, 36%);
  • Ciro Gomes teve 8% (antes, 9%);
  • Simone Tebet teve 6% (antes, 4%).
  • Nenhum, não sabem/não responderam e brancos e nulos somam 7%.

O destaque foi a alta de 2 pontos percentuais (mas também dentro da margem de erro) de Simone Tebet (MDB), que cresceu por duas semanas consecutivas na pesquisa BTG/FSB.

VEJA TAMBÉM: Veja a agenda dos presidenciáveis nesta segunda-feira, 5

A pesquisa é do Instituto FSB, encomendada pelo banco BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME). O Instituto FSB ouviu, por telefone, 2.000 pessoas entre os dias 02 e 04 de setembro.

A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-01786/2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos e intervalo de confiança é de 95%.

Terceira via não ameaça, mas embola 1º turno

Com as variações, os candidatos que não Lula e Bolsonaro (a chamada "terceira via") chegaram, somados, a 17% das intenções de voto, tornando a chance de Lula vencer no primeiro turno mais remota, segundo analistas da FSB.

"Lula e Bolsonaro seguem liderando e, a quatro semanas do primeiro turno, estão muito bem encaminhados para voltar a se enfrentar em 30 de outubro", disse em nota junto à pesquisa Marcelo Tokarski, sócio diretor do Instituto FSB.

"Com o crescimento de Ciro há duas semanas e uma nova evolução de Simone Tebet, a terceira via subiu de 11% para 17% em duas semanas. Não é o suficiente para ameaçar os dois líderes, mas é para reduzir a chance de definição no 1º turno."

A pesquisa também foi feita pouco mais de uma semana após o início do horário eleitoral, em 26 de agosto, e mostrou que os candidatos tiveram pouca variação em seus índices de rejeição, com exceção de Tebet, cujo "potencial de voto" (fatia dos eleitores que não a rejeitam totalmente e poderiam votar na candidata)foi de 16 a 28% desde 22 de agosto.

A tendência é que candidatos mais desconhecidos se beneficiem mais do horário eleitoral, segundo os analistas.

"O horário eleitoral na TV e no rádio ainda possui relevância. Mas muitos eleitores já estão certos de seus votos e o espaço midiático parece ajudar mais os candidatos que possuem maior desconhecimento, como Simone Tebet. A antecipação do voto parece reduzir a possibilidade de maiores efeitos do horário eleitoral", disse em nota André Jácomo, diretor do Instituto FSB Pesquisa.

Na pesquisa, 79% dos eleitores responderam que a decisão já está tomada e "não vai mais mudar". Outros 19% disseram que "pode mudar" e 1% não respondeu.

Espontânea

Na pergunta espontânea, isto é, quando os próprios entrevistados tiveram de apontar um nome escolhido, Bolsonaro e Lula tiveram os mesmos percentuais da pesquisa na semana passada no primeiro turno. Tebet subiu +1 ponto percentual.

A vantagem de Lula segue de 7 pontos contra Bolsonaro.

  • Lula teve 40% das intenções de voto na espontânea (estável);
  • Bolsonaro teve 33% (estável);
  • Ciro Gomes teve 5% (contra 6% na última pesquisa);
  • Simone Tebet teve 3% (2% na última pesquisa).

Segundo turno

As intenções de voto também continuam estáveis no segundo turno. Lula e Bolsonaro também oscilaram ambos +1 ponto percentual na sondagem, e a vantagem de Lula segue de 13 pontos percentuais.

Na pesquisa para o segundo turno, os resultados foram:

  • Lula: 53% dos votos;
  • Bolsonaro: 40%.
  • Não votará e não sabe/não respondeu: 8%.

Otimismo com a economia chega ao limite

A pesquisa também mostrou que o otimismo com a economia diante da queda nos preços dos combustíveis e aumento do emprego, vista em semanas anteriores, parece ter chegado a um teto.

Metade dos brasileiros (51%) acha que o Brasil "está em crise econômica, mas com dificuldade de superar". O número melhorou após ter chegado a 60% entre abril e julho, mas a má notícia para o governo é que, após essa melhora, o percentual tem variado somente dentro da margem de erro ao longo das últimas semanas.

Na outra ponta, outros 35% acham que o Brasil "está em crise econômica, mas conseguindo superar". Uma minoria, 10%, acham que o Brasil está "vivendo um bom momento econômico".

A percepção sobre a economia é importante por estar altamente relacionada à intenção de voto.

  • Dentre os que acham que o Brasil tem dificuldade de superar a crise, 68% votam em Lula.
  • Dentre os que acham que o Brasil já vive um bom momento ou está "conseguindo superar", 89% e 62% votam em Bolsonaro, respectivamente.

A estagnação nas percepções sobre a economia representa uma má notícia para o presidente Jair Bolsonaro, que aposta no aumento do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600 e na desoneração dos combustíveis como formas de aumentar sua votação em outubro.

"O início de uma trajetória de recuperação da economia, com aumento do emprego e inflação mais controlada, já foi percebido pelos eleitores nas últimas semanas, mas a melhora da percepção se estagnou", disse Marcelo Tokarski, sócio-diretor do Instituto FSB Pesquisa.

"E, nesse período, o presidente Jair Bolsonaro não tem capturado mais apoio em função desse cenário, o que levou a uma estabilidade da corrida eleitoral."


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