Perto do PSD, Eduardo Leite se reúne com Kassab

Governador espera apoio de partidos de centro antes de anunciar se vai concorrer ao Planalto. Ele deve se reunir hoje, em São Paulo, com o presidente da sigla, falará com empresários e tenta encontro com Bivar
PSD: Os movimentos de Leite na direção do PSD tem rendido críticas da direção nacional do PSDB, mas é incentivado por aliados do Rio Grande do Sul (Antonio Cruz/Agência Brasil)
PSD: Os movimentos de Leite na direção do PSD tem rendido críticas da direção nacional do PSDB, mas é incentivado por aliados do Rio Grande do Sul (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Por Agência O GloboPublicado em 15/03/2022 12:12 | Última atualização em 15/03/2022 12:12Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Enquanto não confirma se será candidato à Presidência, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), continua negociando apoio a um eventual projeto político para as eleições deste ano. Leite deve se reunir hoje com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, que quer lançá-lo ao Planalto. Aliados dizem que ele articula, também, um encontro com Luciano Bivar, presidente do União Brasil, que o gaúcho tenta atrair.

Ontem, o governador tucano voltou a admitir a possibilidade de mudar de partido para concorrer a presidente. Em entrevista à Rádio Gaúcha, ele disse que não quer ficar com o sentimento de “poderia ter feito algo, mas não fiz”.

O encontro com Kassab deve ocorrer em São Paulo, onde Leite também deve participar de uma agenda com empresário, e será o primeiro desde que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) desistiu de ser o nome da sigla à Presidência. Leite voltará a se reunir com o presidente do PSD amanhã em Porto Alegre, na cerimônia de filiação da ex-senadora Ana Amélia Lemos, que é secretária na gestão Leite, ao partido de Kassab. Mês passado, outro integrante do governo do gaúcho também ingressou na sigla: o secretário Agostinho Meirelles, que é um dos aliados mais próximos de Leite.

Apoios no centro

Caso seja mesmo candidato, Leite precisa renunciar ao governo até 2 de abril. Uma das condições que ele tem colocado é a necessidade de receber apoio de outros partidos de centro. Não por acaso, trabalha para atrair o União Brasil. Desde as prévias, o gaúcho também estreitou laços com ACM Neto, que é secretário geral do novo partido.

Um dos seus interlocutores com o União Brasil é o seu secretário de Desenvolvimento Urbano, Luiz Carlos Busato, que preside a legenda no Rio Grande do Sul, e que deve apoiar a sucessão de Leite ao governo gaúcho.

Em outra frente, o governado tem tentado se aproximar da senadora Simone Tebet (MDB-MS) por meio de um dos seus aliados mais fiéis, o ex-presidente da Assembleia Legislativa gaúcha Gabriel Souza (MDB-RS). Souza pleiteia apoio de Leite para disputar o governo estadual, mas enfrenta resistência no MDB do Rio Grande do Sul.

Em entrevista à rádio Gaúcha pela manhã, Leite não escondeu seu entusiasmo com uma potencial candidatura ao Planalto:

— De um lado, isso envolve uma mudança de partido, que é algo que não me deixa confortável, mas que eventualmente se impõe diante da necessidade de construir uma alternativa para essa eleição polarizada que está aí — afirmou o governador.

Os movimentos de Leite na direção do PSD tem rendido críticas da direção nacional do PSDB, mas é incentivado por aliados do Rio Grande do Sul. O seu entorno diz se apoiar em pesquisas qualitativas e sustenta que o seu perfil jovem, com baixa taxa de conhecimento e rejeição, poderia fazer de sua candidatura competitiva mesmo num cenário marcado pela polarização entre o ex-presidente Lula e o presidente Jair Bolsonaro.

Entre os tucanos há tentativa de fazer o governador ficar no PSDB. No partido, há aqueles que defendem que ele quebre sua promessa de campanha e concorra à reeleição e até quem avente a possibilidade de uma candidatura dele caso haja uma desistência do governador de São Paulo, João Doria, que é pré-candidato a presidente, mas não decolou nas pesquisas de intenção de voto.

Segundo interlocutores do gaúcho, ele considera esse cenário improvável e acha que mesmo que haja articulação para substituir Doria, haveria risco de judicialização pelo paulista.

Leite deve ir a Brasília hoje para prestar deferência ao seu núcleo de apoiadores de ex-presidentes tucanos como Aécio Neves, Tasso Jereissati, José Aníbal e Pimenta da Veiga. Esse grupo trabalha para minar a candidatura de Doria e tem feito pressão para que o paulista retire a candidatura.

No domingo, Kassab afirmou que trabalha intensamente pela filiação do governador gaúcho.

— O PSD vai ter um candidato a presidente da República. E todo nosso esforço é para que seja o governador Eduardo Leite — afirmou o dirigente partidário.