Pazuello pode entrar na lista de demissões do governo

Reforma ministerial, prevista para acomodar forças do Centrão que deverão emergir com a eleição para a Câmara e o Senado, pode incluir a pasta da saúde

A reacomodação das forças políticas no Congresso, com a eleição dos presidentes da Câmara e do Senado, em fevereiro, deverá influenciar não apenas susbsituições em ministérios do segundo escalão, como o da Cidadania, como já vem sendo aventado por fontes próximas ao governo. Ministérios com orçamento mais polpudo, como o da Saúde, também estariam na mira da reforma minsterial.

"Os interesses dos grupos do Centrão que ganharem mais poder com a mudança de liderança no Congresso devem ser incorporados de alguma maneira pelo governo, inclusive em ministérios de maior calibre", diz o analista político Lucas de Aragão, sócio-diretor da consultoria política Arkos Adivice.

Eduardo Pazuello, Ministro da Saúde, corre o risco de se tornar uma das peças desse jogo. "Se houver problema na distribuição da vacina contra o coronavírus, sua saída deve ser facilitada", afirma Aragão. O sinal de que a hora é de mudanças foi deflagrado com a demissão do Ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, nesta terça-feira, dia 9.

O ministro, de atuação apagada, já vinha perdendo prestígio. O estopim para sua demissão teria sido uma mensagem que Álvaro Antônio postou em um grupo de WhatsApp dos ministros em que acusou o chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, responsável pela articulação política do Planalto, de conspirar para tirá-lo do cargo.

Em 2019, nem as denúncias de crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa por causa de seu suposto envolvimento em um esquema de candidaturas laranjas em Minas Gerais foram suficientes para Álvaro Antônio ser demovido do cargo.

Nos bastidores políticos, comenta-se que Álvaro Antônio já estaria na lista de demissões do governo, mesmo antes do episódio do WhatsApp, como parte do ponta-pé inicial da reforma ministerial.

Movimentos mais significativos da mudança de comando e de cargos do primeiro e segundo escalão nos ministérios, no entanto, são previstos para a fase posterior da reorganização de grupos políticos no Congresso, em fevereiro.

O Planalto estaria aguardando o capítulo final da disputa por influência política travada entre o grupo ligado ao atual presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o de Arthur Maia (PP-AL), apoiado por partidos como o PL, PSD, Avante, para fazer trocas nos ministérios.

Juntas, as siglas que apoiam Arthur Lira aglutinam cerca de 135 deputados, que formam o núcleo duro da base política de Bolsonaro. Não é pouca coisa.

A grande questão, no entanto, é como se dará o toma-lá-dá-cá no governo em razão do reagrupamento de forças no Congresso. Em qualquer hipótese, o Ministério da Saúde, que desfruta de projeção nacional e conta com um orçamento de 167,55 bilhões de reais, deve ser considerado o filé mignon. A briga deve ser grande.

 

 

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