'O que falta é um ministro da Fazenda', diz Jaques Wagner (PT) sobre articulação da transição

Senador escalado para ser o articulador político da proposta afirmou quem um dos problemas é que nomes de indicados para a pasta econômica não estão na mesa, mas na cabeça do presidente
O texto abre espaço no Orçamento de 2023 para promessas de campanha do petista, especialmente o Bolsa Família de R$ 600 (Elza Fiúsa/Agência Brasil)
O texto abre espaço no Orçamento de 2023 para promessas de campanha do petista, especialmente o Bolsa Família de R$ 600 (Elza Fiúsa/Agência Brasil)
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Agência O Globo

Publicado em 24/11/2022 às 14:42.

Última atualização em 24/11/2022 às 14:42.

Escalado para ser o articulador político da "PEC da Transição" no Congresso, o senador Jaques Wagner (PT-PA) afirmou que o que falta é "ministro da Fazenda" para destravar as negociações da Proposta de Emenda a Constituição.

O texto abre espaço no Orçamento de 2023 para promessas de campanha do petista, especialmente o Bolsa Família de R$ 600 e irá prever que o programa fique fora do teto de gastos por quatro anos, durante todo o mandato de Lula.

— Acho que falta mais, por enquanto, é um ministro da Fazenda — afirmou Wagner ao ser questionado por jornalistas se falta um articulador empoderado por Lula para agilizar o andamento da PEC no Congresso. — Eu acho que facilita (se um ministro fosse indicado agora), mas não depende de mim, mas isso é uma opinião, quem vai decidir é o presidente da República

O senador afirmou que Lula está centralizando a análise dos nomes:

— O problema é que não tem nome na mesa, tem na cabeça do presidente.

Amanhã Jaques Wagner viaja a São Paulo para conversar pessoalmente com Lula. O presidente se recupera de uma cirurgia nas cordas vocais e, por isso, não veio a Brasília nesta semana.

— Vou dar o quadro a ele, ele está refletindo, olhando as coisas. Infelizmente ele teve que se calar, ele queria estar aqui — disse Wagner.

Aliados de Lula têm reclamado da inabilidade de petistas escalados para articulação para da “PEC da Transição”. Segundo O GLOBO apurou, Wagner não se encontrou com o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) ou com Aloizio Mercadante na manhã desta quinta-feira no CCBB, sede da equipe de transição em Brasília.

Uma das principais divergências entre aliados não diz respeito ao valor da PEC, mas ao prazo de quatro anos da emendas. O texto irá prever que o programa Bolsa Família fique fora do teto de gastos por quatro anos (com um custo de R$ 175 bilhões por ano), ou seja, durante todo o mandato de Lula. Líderes do PT não querem abrir mão deste ponto. Wagner, no entanto, acenou para negociação deste item.

— O prazo de quatro anos é o nossa desejo, mas nem sempre na democracia se sai com desejo atendido.

Questionado se achava mais razoável o prazo de dois anos para a PEC, Wagner respondeu:

— Entre um e quatro, tem dois e três.

Na terça-feira, Wagner foi nomeado integrante do Conselho Governamental da transição e escalado para comandar a articulação da PEC no Congresso e acelerar o diálogo para aprovar o texto. O governo eleito tem expectativa de votar o texto na próxima semana.

Interlocutores de Lula afirmam que Wagner é a “esperança” do PT para assegurar a aprovação da PEC e é visto por aliados como o nome destacado para ser o “Casa Civil” da transição. Nesta quinta-feira, porém, Wagner afirmou "não acreditar em mágica":

— Não acredito em mágica, ninguém sozinho vai fazer nada. Estou ajudando porque essa é minha experiência, de articulador político, mas não sou eu que estou fazendo sozinho, tem muita gente envolvida. Querem botar nas minhas costas tudo — disse Wagner.

Jaques Wagner externou uma avaliação corrente no PT e em partidos de centro: a falta de um ministro da Fazenda indicado prejudicou a articulação. Para senadores e deputados, a PEC precisa ter um rosto e um interlocutor centralizado. Hoje, várias pessoas falam sobre o assunto. Aliados reclamam que a PEC foi apresentada sem antes se demostrar porque ela é necessário. Segundo essa avaliação, isso precisava ter sido feito tanto no Congresso como fora dele.

A reação negativa do mercado ao texto também é creditada em parte à falta de ministro. Sem um nome, falta uma voz que consiga indicar, por exemplo, um compromisso fiscal e os números de longo prazo.

Coube a Wagner fazer essa fala pela proximidade que ele tem a Lula e o respeito dentro e fora do partido. Petistas evitam falar que isso é uma cobrança direta a Lula e falam em constatação.

Entre petistas, Wagner é considerado um nome com estofo para esse tipo de função, o senador foi ministro da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e é visto como alguém que tem mais facilidade para conversar com partidos de centro.

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