Ministro Nunes Marques (Gustavo Moreno-SCO-STF/Getty Images)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 15 de setembro de 2026 às 11h32.
Última atualização em 15 de setembro de 2026 às 12h37.
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Kassio Nunes Marques, declarou-se impedido de julgar a petição que poderá abrir uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes relacionada às mensagens trocadas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ele argumentou que, como o julgamento pode ter impacto eleitoral, não se sente confortável em participar da análise da ação. Nunes Marques é presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
"Na condição de presidente do TSE, eu não me sinto confortável para participar desse julgamento e afirmo meu impedimento", afirmou.
Reportagens divulgadas nesta manhã mostraram que conversas extraídas do celular do ex-controlador do banco Master, Daniel Vorcaro, relacionaram o advogado Kevin Marques ao valor de R$ 500 mil.
Nunes Marques afirmou que o seu filho nunca prestou serviço ao banco.
"Em relação a mensagens que circulam desde ontem, nunca julguei nenhum processo relacionado ao Master. Meu filho nunca prestou nenhum serviço ao banco e nunca foi remunerado pelo banco", afirmou.
Ele disse ainda que isso é "um fato", pois o sigilo bancário já foi quebrado.
"É bom que registre que, em relação ao caso, eu nunca troquei nenhuma mensagem com Daniel Vorcaro, já esclarecendo alguns fatos", afirmou Nunes Marques.
A análise do STF tem como ponto central o relatório produzido pela Polícia Federal a partir das investigações relacionadas ao Banco Master. O documento reúne mensagens enviadas por Daniel Vorcaro a um número de telefone atribuído a Alexandre de Moraes, mas não permite saber o que o ministro respondeu ao banqueiro, porque Moraes utilizava mensagens de visualização única, que desaparecem depois de lidas.
Além das conversas, a PF registrou que Vorcaro se encontrou pessoalmente com Moraes em mais de uma ocasião. O relatório também chama atenção para um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci, mulher do ministro.
O valor do contrato é apontado no relatório como acima do praticado no mercado. Uma eventual investigação poderá esclarecer se os serviços jurídicos foram efetivamente prestados ou se o pagamento teria relação com uma suposta atuação de Moraes em favor de Vorcaro — hipótese que o ministro nega.
É justamente esse conjunto de informações que será analisado pelos ministros. A questão não é estabelecer a responsabilidade criminal de Moraes, mas decidir se existem indícios mínimos que justifiquem uma investigação. Caso o plenário autorize a apuração, será a primeira vez que um integrante do STF será alvo de uma investigação.
A eventual abertura da investigação também permitiria esclarecer pontos que permanecem sem resposta, inclusive o conteúdo das mensagens de visualização única. Testemunhos, cruzamento de informações e outras diligências poderiam ser utilizados para aprofundar a apuração.