Moro critica governador do DF por pedido de transferência de Marcola

Para Moro, reclamação tem "razões políticas" e não é a atitude "mais responsável"

Brasília – O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, criticou nesta sexta-feira o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo que Marcos Camacho, o Marcola, um dos líderes de uma facção de São Paulo, seja transferido do presídio federal de Brasília. Segundo Moro, para quem o governador tem feito as reclamações por “razões políticas”, a atitude de Ibaneis não é a “mais responsável”.

Desde o início do ano passado, quando Marcola foi transferido, o governador tem se queixado. Na quarta-feira, ele levou o assunto ao STF. No fim de dezembro, o Exército chegou a reforçar a segurança no entorno do presídio depois de surgir uma informação sobre um suposto plano de fuga. Para Moro, não há risco para a população do Distrito Federal.

“Não existe nenhum risco que possa justificar qualquer temor da população. Até se lamenta que esse tema seja trazido tantas vezes pelo governador, gerando a percepção equivocada de que haja alguma insegurança. Não penso que é a atitude mais responsável”, criticou o ministro.

Moro afirmou que não há registros de rebeliões em nenhum presídio federal, tampouco da entrada de celulares. Ele afirmou que o regime dentro das unidades é de “absoluto rigor”. Além de Brasília, há presídios federais em Catanduvas (PR), Porto Velho (RO), Mossoró (RN) e Campo Grande (MS). Há atualmente 616 detentos no sistema federal, que recebe os presos tidos como mais perigosos.

“Única pessoa que tem reclamado sobre essa permanência é o governador do Distrito Federal, a meu ver mais por razões políticas do que por razões concretas. Não vi nenhuma reverberação dessa reclamação na sociedade do Distrito Federal”, disse Moro.

O episódio é mais um capítulo do desconforto entre o ministro e o governo do Distrito Federal. No mês passado, o secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres, foi um dos mais ferrenhos defensores da recriação do Ministério da Segurança Pública, deixando Moro só com a Justiça. Auxiliares do ministro atribuem também a França, que é delegado da Polícia Federal. O movimento que tentou tirar do cargo o diretor-geral da corporação, Maurício Valeixo, no ano passado.

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