Brasil

Moraes rejeita recurso da defesa de Bolsonaro contra condenação por trama golpista

Na decisão, o ministro do STF afirmou que o pedido é “absolutamente incabível juridicamente”.

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 14h02.

Última atualização em 13 de janeiro de 2026 às 14h05.

Tudo sobreJair Bolsonaro
Saiba mais

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta terça-feira, 13 de janeiro, um novo recurso da defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) contra sua condenação.

Na decisão, o ministro afirmou que o pedido é “absolutamente incabível juridicamente”. Ele reforçou que o processo contra o ex-presidente está encerrado e não admite mais recursos. A manifestação ocorre um dia após a defesa apresentar um agravo regimental contra decisão anterior do próprio ministro, tomada em dezembro, que já havia barrado o uso do recurso.

"Absolutamente incabível juridicamente a interposição desse recurso após o trânsito em julgado do Acórdão condenatório e o início do cumprimento da pena de reclusão, em regime fechado, em relação ao réu Jair Messias Bolsonaro".

Bolsonaro foi condenado pela Primeira Turma do STF, em setembro, à pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado, em decisão com placar de quatro votos a um.

O ponto jurídico central gira em torno dos embargos infringentes, ferramenta prevista para casos em que há ao menos dois votos divergentes em julgamentos colegiados. A defesa sustenta que o Regimento Interno do STF não impõe essa exigência — argumento usado para justificar a interposição do recurso mesmo com apenas um voto pela absolvição, dado pelo ministro Luiz Fux.

A jurisprudência atual do Supremo, no entanto, estabelece que a admissibilidade dos embargos depende de dois votos favoráveis ao réu. Foi com base nesse entendimento que Moraes decidiu, em novembro, determinar o encerramento do processo e o início do cumprimento da pena, sem admitir novos recursos.

Apesar disso, os advogados insistiram no direito de recorrer e pediram que o caso fosse levado ao plenário da Corte, tentativa também negada por Moraes nesta terça-feira. Em sua decisão, o ministro reiterou que não há fundamento jurídico para reabrir a discussão.

Embargos e divergências internas no STF

A tentativa da defesa de Bolsonaro se apoia no único voto vencido no julgamento, o do ministro Luiz Fux. A estratégia busca abrir margem para rediscutir o caso no colegiado mais amplo do STF, cenário considerado improvável sob a atual interpretação da Corte.

A negativa de Moraes mantém a jurisprudência firmada e reforça o entendimento de que, nos casos julgados pelas turmas do Supremo, os embargos infringentes só são cabíveis quando há ao menos dois votos favoráveis ao réu.

Acompanhe tudo sobre:Jair BolsonaroAlexandre de MoraesSupremo Tribunal Federal (STF)

Mais de Brasil

Defesa Civil emite alerta de chuva forte e granizo em SP; mais de 26 mil imóveis estão sem luz

Naufrágio no AM: correntes e densidade dos rios dificultam buscas por desaparecidos

Carnaval às escuras no RJ: apagão volta a atingir Leme e Copacabana

Avião da Latam aborta decolagem de Guarulhos para Lisboa e caso será investigado